Nós vamos no banco, na praia, no cinema, no cartório, está errado?
O uso da preposição em com o verbo ir é característico da fala e escrita brasileira.
O verbo assistir no sentido de ver, o verbo visar no sentido de ter em vista e o verbo visar no sentido de almejar não aceitam o pronome lhe. É estranho?
E também errado.
Muitos usam o verbo chamar, pronominal, sem pronome.
Super hiper errado!
Existe diferença entre chamar alguém à atenção e chamar a atenção de alguém?
E muita! A segunda significa advertir, repreender, e a primeira significa despertar interesse ou curiosidade.
Com o verbo comunicar se usa a preposição sobre. Está certo ou errado?
Absurdamente errado. Só se usa essa preposição com o verbo informar.
Conhecer é verbo transitivo direto ou indireto?
Sempre foi transitivo direto desde quando farmácia se escrevia com PH.
Desfrutar e usufruir são transitivos diretos ou indiretos?
Via de regra, são transitivos diretos. Por influência do sinônimo gozar, que pode ser transitivo direto ou indireto, esses verbos podem ser usados com a preposição de.
Posso dizer para alguém?
Você vai ficar nervoso. Para ficar tranquilo, diga a alguém.
O verbo ensinar não dispensa a preposição a antes de infinitivo. É isso?
Verdade. A exemplo de começar, o verbo ensinar aceita e exige a preposição a nessa situação.
O verbo faltar exige a ou de?
Sempre a preposição a.
Fazer com que é correto?
Tanto fazer que quanto fazer com que são expressões corretas.
Há erro quando digo Vi e gostei do filme ou Não entre nem saia do trem?
Não. Os gramáticos antigos consideravam erro usar verbos de regências diferentes com um só complemento, e somente verbos de regências iguais poderiam ter o mesmo complemento. Hoje, essas construções são aceitas.
Posso pedir para?
Depende. Se houver a ideia de licença, permissão ou autorização, poderá; caso contrário, não poderá.
Posso reparar as pernas?
Não, porque reparar sem preposição significa consertar (reparar TVs) ou indenizar (reparar prejuízos). No sentido de observar, usa-se com a preposição em (reparar no andar e no falar).
É errado 'apresento à Vossa Senhoria'?
Sim, porque antes de pronomes de tratamento não se usa a crase: Apresento a Vossa Senhoria as razões do meu ponto de vista. / Estes documentos pertencem a você. Só há três que aceitam a crase: senhora, senhorita, dona e madame.
É errado 'os adversários estavam cara à cara'?
Também, porque palavras repetidas dispensam o acento, mesmo que sejam femininas: gota a gota, frente a frente, cara a cara, lado a lado, passo a passo, dia a dia, uma a uma, ombro a ombro.
É errado 'faz tempo que não vou à festas' ou 'atendimento à pessoas com deficiência'?
Também, porque não se usa acento quando o A está no singular e a palavra seguinte no plural. Se o A vier seguido de S, ocorrerá crase: Faz tempo que não vou às festas. / Atendimento às pessoas com deficiência.
É errado 'TV à cabo', 'traje à rigor', 'estar à caminho / trabalho / serviço'?
Também, porque antes de palavras masculinas não se usa o acento, exceto se a locução prepositiva à moda de estiver subentendida: Escrevo à Camões.
Devo usar artigo antes de pronome possessivo?
Não necessariamente. É facultativo o uso do artigo antes de pronomes possessivos: Meu carro é novo. / O meu carro é novo. Também é facultativa a crase antes de pronomes possessivos femininos: Estou a sua disposição. / Estou à sua disposição. Só é obrigatória se houver elipse do substantivo: Referi-me à minha namorada e não à sua.
Posso responder 'o' telegrama?
Não, no sentido de dar resposta, usa-se com a preposição a: responder ao questionário, a inquérito, a processo, ao exercício. Só é transitivo direto quando o complemento for a própria resposta: Respondeu que estava feliz. / Respondeu que ia à festa.
Posso vir com o avião?
Não, só o Superman vem com o avião. Nós vamos, vimos, chegamos e voltamos no ou pelo avião.
Posso usar 'de lá de cima', 'de lá de baixo'?
Não, o correto é lá de casa, lá de fora, lá de dentro.
Posso dizer 'lembro de tudo'?
Não, os verbos esquecer e lembrar só aceitam a preposição de quando pronominais: Lembrei-me de tudo. / Esqueci-me da informação. Sem pronome, dispensam a preposição: Lembrei tudo. / Esqueci a informação.
Posso dizer 'de' que?
Não, usar a preposição de sem que um termo a exija tem um nome: dequeísmo. Só se usa quando o termo exige.
Posso usar o acento antes de nome próprio?
Sim, se for uma pessoa íntima: Enviei a carta à Patrícia. Se for uma pessoa desconhecida, evite: Enviei a carta a Patrícia. Se for uma pessoa famosa, não use: Referiu-se a Irmã Dulce. Só use se houver um adjetivo ou locução adjetiva: Referiu-se à religiosa Irmã Dulce.
O slogan da Sprite 'obedeça sua sede' está errado?
Sim, os verbos obedecer e desobedecer se usam com a preposição a: Obedeço ao regulamento. / Desobedeceu às leis de trânsito e foi multado.
Existe 'à esta altura'?
Não, porque somente os pronomes demonstrativos aquilo, aquele e aquela (e seus plurais) aceitam o artigo, os demais (este, esse, esta, essa, isto e isso) não, neles não pode haver crase.
Posso emprestar 'de' alguém?
Não, quem cede empresta, quem se beneficia do empréstimo toma emprestado.
O certo é dado ou dada a importância?
Varia, porque dado, dada, dados e dadas são particípios do verbo dar. Cuidado para não confundir com devido a, que é locução prepositiva, essa sim, invariável.
Posso pagar 'o' professor e perdoar 'o' devedor?
Não, esses verbos se usam com a preposição a quando se referem a uma pessoa ou instituição, e sem preposição quando se referem a uma coisa.
Posso dizer que viso 'este' emprego ou aspiro 'uma' vaga na universidade?
Não, os verbos aspirar e visar se usam com a preposição a no sentido de desejar, ter em vista, quando o complemento for um substantivo. Só dispensam a preposição quando seguidos de infinitivo: O Brasil visa ganhar o hexa.
É correto usar 'viva' os brasileiros?
Sim, porque os gramáticos antigos consideravam 'viva' como uma forma verbal. Hoje, aceita-se seu uso como interjeição, por associação com 'salve'.
É correto dizer 'ele procedeu o julgamento'?
Não, porque o verbo proceder se usa com a preposição a no sentido de realizar.
Posso depor 'à polícia'?
Não, você depõe na polícia, o verbo depor é intransitivo, e não transitivo indireto. A expressão que se segue é adjunto adverbial, não é objeto indireto, não pode ser substituída por 'a ele/a' nem 'lhe'.
Você se habitua com a situação?
Não, ninguém se habitua com, mas sim a. Esse verbo sofreu influência do sinônimo acostumar-se, que aceita ambas as preposições.
Posso fazer apologia ao crime?
Não, fazemos apologia de alguma coisa, assim como fazemos defesa. Esse sofre influência de elogio, que aceita a preposição a.
Não, o jornal divulga, porque repercutir é intransitivo e divulgar, transitivo direto.Posso dar um palpite para o filme?
Não, você dá palpite sobre alguma coisa, e não para.
Posso agradecer a alguém 'pela preferência'?
Não, só se você inventar novas regras para a gramática. Quem agradece, agradece alguma coisa a alguém.
Ele faz isso para 'se' aparecer?
Não, porque o verbo não é pronominal. Seus sinônimos exibir-se e mostrar-se são pronominais.
Posso sair as 11h?
Não, usa-se a crase em horas exatas. Posso dizer 'você está servido'?
Não, quem oferece assim é desumano e maldoso. Prefira 'você quer experimentar'.
Por que 'bife à milanesa' e 'bife a cavalo'?
Na primeira há elipse (bife à moda de Milão), e na segunda não há. Não faz sentido pensar em bife à moda do cavalo.
Ela é candidata à rainha da festa?
Não se usa a crase nesse caso, embora 'rainha' seja feminino. Após a palavra 'candidato', usa-se masculino e singular, porque a ideia subentendida é a de cargo, o feminino só se usa se o cargo for oferecido apenas a mulheres.
Posso dizer: evite 'de' dirigir depois de beber?
Não, o verbo evitar é transitivo direto.
Posso dizer: não exceda 'dos' limites de velocidade?
Não, o verbo exceder é transitivo direto, mas pode ser usado com a preposição a, e não 'de'.
Você se depara ou depara com uma carteira no shopping?
O verbo deparar no sentido de encontrar por acaso, pode ser usado sem pronome ou com pronome, a última por influência do sinônimo encontrar-se.
É correta a crase depois da preposição até?
Sim, ela é facultativa na maioria dos casos: Vou até a / à lotérica. Tirando a prova real: vou até o / ao cartório.
Torna-se obrigatório para evitar ambiguidades: A enchente inundou a cidade até à igreja.
Eu estou 'de' férias ou 'em' férias?
As duas formas são corretas. Porém, se houver um adjetivo, usa-se apenas a preposição em: Ele está em férias coletivas.
Minha camisa cheira cigarro ou a cigarro?
Quando cheirar significa exalar cheiro ou parecer, exige a preposição a.
E quanto ao verbo mencionar?
É transitivo direto, mas exige objeto direto nominal. Se vocẽ quiser usar o complemento oracional, troque por informar.