domingo, 5 de junho de 2022

Dúvidas - Regência verbal e crase

Nós vamos no banco, na praia, no cinema, no cartório, está errado?

O uso da preposição em com o verbo ir é característico da fala e escrita brasileira.

O verbo assistir no sentido de ver, o verbo visar no sentido de ter em vista e o verbo visar no sentido de almejar não aceitam o pronome lhe. É estranho?

E também errado. 

Muitos usam o verbo chamar, pronominal, sem pronome.

Super hiper errado!

Existe diferença entre chamar alguém à atenção e chamar a atenção de alguém?

E muita! A segunda significa advertir, repreender, e a primeira significa despertar interesse ou curiosidade.

Com o verbo comunicar se usa a preposição sobre. Está certo ou errado?

Absurdamente errado. Só se usa essa preposição com o verbo informar.

Conhecer é verbo transitivo direto ou indireto?

Sempre foi transitivo direto desde quando farmácia se escrevia com PH.

Desfrutar e usufruir são transitivos diretos ou indiretos?

Via de regra, são transitivos diretos. Por influência do sinônimo gozar, que pode ser transitivo direto ou indireto, esses verbos podem ser usados com a preposição de.

Posso dizer para alguém?

Você vai ficar nervoso. Para ficar tranquilo, diga a alguém.

O verbo ensinar não dispensa a preposição a antes de infinitivo. É isso?

Verdade. A exemplo de começar, o verbo ensinar aceita e exige a preposição a nessa situação.

O verbo faltar exige a ou de?

Sempre a preposição a.

Fazer com que é correto?

Tanto fazer que quanto fazer com que são expressões corretas.

Há erro quando digo Vi e gostei do filme ou Não entre nem saia do trem?

Não. Os gramáticos antigos consideravam erro usar verbos de regências diferentes com um só complemento, e somente verbos de regências iguais poderiam ter o mesmo complemento. Hoje, essas construções são aceitas.

Posso pedir para?

Depende. Se houver a ideia de licença, permissão ou autorização, poderá; caso contrário, não poderá.

Posso reparar as pernas?

Não, porque reparar sem preposição significa consertar (reparar TVs) ou indenizar (reparar prejuízos). No sentido de observar, usa-se com a preposição em (reparar no andar e no falar).

É errado 'apresento à Vossa Senhoria'?

Sim, porque antes de pronomes de tratamento não se usa a crase: Apresento a Vossa Senhoria as razões do meu ponto de vista. / Estes documentos pertencem a você. Só há três que aceitam a crase: senhora, senhorita, dona e madame.

É errado 'os adversários estavam cara à cara'?

Também, porque palavras repetidas dispensam o acento, mesmo que sejam femininas: gota a gota, frente a frente, cara a cara, lado a lado, passo a passo, dia a dia, uma a uma, ombro a ombro.

É errado 'faz tempo que não vou à festas' ou 'atendimento à pessoas com deficiência'?

Também, porque não se usa acento quando o A está no singular e a palavra seguinte no plural. Se o A vier seguido de S, ocorrerá crase: Faz tempo que não vou às festas. / Atendimento às pessoas com deficiência.

É errado 'TV à cabo', 'traje à rigor', 'estar à caminho / trabalho / serviço'?

Também, porque antes de palavras masculinas não se usa o acento, exceto se a locução prepositiva à moda de estiver subentendida: Escrevo à Camões.

Devo usar artigo antes de pronome possessivo?

Não necessariamente. É facultativo o uso do artigo antes de pronomes possessivos: Meu carro é novo. / O meu carro é novo. Também é facultativa a crase antes de pronomes possessivos femininos: Estou a sua disposição. / Estou à sua disposição. Só é obrigatória se houver elipse do substantivo: Referi-me à minha namorada e não à sua.

Posso responder 'o' telegrama?

Não, no sentido de dar resposta, usa-se com a preposição a: responder ao questionário, a inquérito, a processo, ao exercício. Só é transitivo direto quando o complemento for a própria resposta: Respondeu que estava feliz. / Respondeu que ia à festa.

Posso vir com o avião?

Não, só o Superman vem com o avião. Nós vamos, vimos, chegamos e voltamos no ou pelo avião.

Posso usar 'de lá de cima', 'de lá de baixo'?

Não, o correto é lá de casa, lá de fora, lá de dentro.

Posso dizer 'lembro de tudo'?

Não, os verbos esquecer e lembrar só aceitam a preposição de quando pronominais: Lembrei-me de tudo. / Esqueci-me da informação. Sem pronome, dispensam a preposição: Lembrei tudo. / Esqueci a informação.

Posso dizer 'de' que?

Não, usar a preposição de sem que um termo a exija tem um nome: dequeísmo. Só se usa quando o termo exige.

Posso usar o acento antes de nome próprio?

Sim, se for uma pessoa íntima: Enviei a carta à Patrícia. Se for uma pessoa desconhecida, evite: Enviei a carta a Patrícia. Se for uma pessoa famosa, não use: Referiu-se a Irmã Dulce. Só use se houver um adjetivo ou locução adjetiva: Referiu-se à religiosa Irmã Dulce.

O slogan da Sprite 'obedeça sua sede' está errado?

Sim, os verbos obedecer e desobedecer se usam com a preposição a: Obedeço ao regulamento. / Desobedeceu às leis de trânsito e foi multado.

Existe 'à esta altura'?

Não, porque somente os pronomes demonstrativos aquilo, aquele e aquela (e seus plurais) aceitam o artigo, os demais (este, esse, esta, essa, isto e isso) não, neles não pode haver crase.

Posso emprestar 'de' alguém?

Não, quem cede empresta, quem se beneficia do empréstimo toma emprestado.

O certo é dado ou dada a importância?

Varia, porque dado, dada, dados e dadas são particípios do verbo dar. Cuidado para não confundir com devido a, que é locução prepositiva, essa sim, invariável.

Posso pagar 'o' professor e perdoar 'o' devedor?

Não, esses verbos se usam com a preposição a quando se referem a uma pessoa ou instituição, e sem preposição quando se referem a uma coisa.

Posso dizer que viso 'este' emprego ou aspiro 'uma' vaga na universidade?

Não, os verbos aspirar e visar se usam com a preposição a no sentido de desejar, ter em vista, quando o complemento for um substantivo. Só dispensam a preposição quando seguidos de infinitivo: O Brasil visa ganhar o hexa.

É correto usar 'viva' os brasileiros?

Sim, porque os gramáticos antigos consideravam 'viva' como uma forma verbal. Hoje, aceita-se seu uso como interjeição, por associação com 'salve'.

É correto dizer 'ele procedeu o julgamento'?

Não, porque o verbo proceder se usa com a preposição a no sentido de realizar.

Posso depor 'à polícia'?

Não, você depõe na polícia, o verbo depor é intransitivo, e não transitivo indireto. A expressão que se segue é adjunto adverbial, não é objeto indireto, não pode ser substituída por 'a ele/a' nem 'lhe'.

Você se habitua com a situação?

Não, ninguém se habitua com, mas sim a. Esse verbo sofreu influência do sinônimo acostumar-se, que aceita ambas as preposições.

Posso fazer apologia ao crime?

Não, fazemos apologia de alguma coisa, assim como fazemos defesa. Esse sofre influência de elogio, que aceita a preposição a.

Não, o jornal divulga, porque repercutir é intransitivo e divulgar, transitivo direto.

Posso dar um palpite para o filme?

Não, você dá palpite sobre alguma coisa, e não para.

Posso agradecer a alguém 'pela preferência'?

Não, só se você inventar novas regras para a gramática. Quem agradece, agradece alguma coisa a alguém.

Ele faz isso para 'se' aparecer?

Não, porque o verbo não é pronominal. Seus sinônimos exibir-se e mostrar-se são pronominais.

Posso sair as 11h?

Não, usa-se a crase em horas exatas. Posso dizer 'você está servido'?

Não, quem oferece assim é desumano e maldoso. Prefira 'você quer experimentar'.

Por que 'bife à milanesa' e 'bife a cavalo'?

Na primeira há elipse (bife à moda de Milão), e na segunda não há. Não faz sentido pensar em bife à moda do cavalo.

Ela é candidata à rainha da festa?

Não se usa a crase nesse caso, embora 'rainha' seja feminino. Após a palavra 'candidato', usa-se masculino e singular, porque a ideia subentendida é a de cargo, o feminino só se usa se o cargo for oferecido apenas a mulheres.

Posso dizer: evite 'de' dirigir depois de beber?

Não, o verbo evitar é transitivo direto.

Posso dizer: não exceda 'dos' limites de velocidade?

Não, o verbo exceder é transitivo direto, mas pode ser usado com a preposição a, e não 'de'.

Você se depara ou depara com uma carteira no shopping?

O verbo deparar no sentido de encontrar por acaso, pode ser usado sem pronome ou com pronome, a última por influência do sinônimo encontrar-se.

É correta a crase depois da preposição até?

Sim, ela é facultativa na maioria dos casos: Vou até a / à lotérica. Tirando a prova real: vou até o / ao cartório.

Torna-se obrigatório para evitar ambiguidades: A enchente inundou a cidade até à igreja.

Eu estou 'de' férias ou 'em' férias?

As duas formas são corretas. Porém, se houver um adjetivo, usa-se apenas a preposição em: Ele está em férias coletivas.

Minha camisa cheira cigarro ou a cigarro?

Quando cheirar significa exalar cheiro ou parecer, exige a preposição a.

E quanto ao verbo mencionar?

É transitivo direto, mas exige objeto direto nominal. Se vocẽ quiser usar o complemento oracional, troque por informar.

Dúvidas - Concordância verbal e nominal

Quando um nome termina em S, mas não tem artigo (como Campinas, Santos, Patos etc.), o verbo fica no singular, vai para o plural ou tanto faz?

Deixe o verbo no singular.

Quando no sujeito aparecer a expressão um dos que ou uma das que, como faço?

Pode ficar tanto no singular quanto no plural.

E quando aparecer o pronome relativo quem?

Pode ficar na 3ª pessoa do singular ou concordar com o antecedente - imitando a regra do QUE.

Mais de um, pela lógica, são dois ou mais, quando houver essa expressão no sujeito, o verbo fica no singular?

Exatamente. Só vai haver plural quando esta indicar reciprocidade ou vier repetida. A concordância verbal não se faz com a ideia, exceto nos casos de silepse.

Usa-se muito o verbo ter pelo verbo haver.

Sim, já se consagrou esse uso. O slogan da Philco também registra esse: 'Tem coisas que só a Philco faz para você'. Nenhum brasileiro fala: Hoje há espetáculo? Por quê? Porque isso é coisa de português.

Por que o verbo ser fica no singular em: Um é pouco, dois é bom, três é demais?

Há indicação de quantidade, peso, medida, preço, tempo, valor.

A novela é 'Éramos Seis' ou 'Éramos em Seis'?

Não se usa os verbos ser e estar após a preposição em, com numeral cardinal.

Se eu digo que já 'bateu' três horas, comete erro?

Erro errado. Os verbos dar, bater e soar concordam com o número de horas. Se na frase aparece um sujeito expresso, o verbo concorda com ele.

Por que se usa a expressão cerca de apenas com números redondos?

Porque quando o número é exato, dispensa-se a expressão. 

Qual o certo: viva ou vivam os reis?

Tanto faz. Embora tradicionalmente seja considerado como uma forma verbal, concordando com o sujeito, que vem depois do verbo, já se aceita seu uso como interjeição, por associação com o termo 'salve', que é interjeição em português por ter perdido o sentido verbal que tinha no latim.

'salve os noivos' é uma expressão de cumprimento e 'salvem os noivos' é um pedido de socorro.

É correto dizer que tenho 'bastantes' amigos?

Sim. Bastante é pronome indefinido, e varia. Na linguagem do Direito, aparece como adjetivo, sinônimo de suficiente: Não há provas bastantes para condenar o réu. Não varia quando é advérbio: As crianças estão bastante doentes. Há médicos que dizem 'você precisa comer bastante frutas e verduras'. Eles entendem muito: de medicina.

É correto dizer e escrever que 'anexo' segue a nota fiscal, 'o café da manhã e o almoço estão incluso' e 'estou quites com a Receita Federal'?

Não, porque anexo não é advérbio, mas sim adjetivo. Evite usar 'em anexo'.

Incluso e quite são adjetivos, e todo adjetivo varia.

É correto dizer e escrever 'eles estão sós' ou 'eles estão a sós'?

Só pode ser advérbio (somente), nesse caso é invariável ou adjetivo (sozinho), neste caso é variável.

É correto dizer e escrever 'eu mesmo resolvi o problema'?

Não. Mesmo não varia quando é advérbio (realmente) ou conjunção (embora). Quando é pronome demonstrativo (próprio), varia.

Qual a curiosidade sobre a palavra alerta?

Ela é advérbio, e não varia. Só varia quando for substantivo.

É correto dizer que ela é uma 'pseuda' médica?

Não, porque pseudo é prefixo, e elemento invariável, não se liga a elementos no feminino. Não é adjetivo, por isso não existe 'pseudamente'.

É correto dizer que ela é 'meia' louca?

Não, porque meio só varia quando for substantivo (modo, maneira) ou numeral (metade). Quando for advérbio (mais ou menos), é invariável.

É correto dizer que ´é proibida entrada de estranhos'?

Não, as expressões é bom, é proibido, é vedado, é necessário e é permitido só variam quando houver um artigo ou outro determinante, caso contrário, ficam invariáveis.

Posso dizer 'o pessoal gostaram da festa'?

Não, a palavra 'pessoal', assim como turma, tem sentido plural e forma singular. Em ambos os casos, o verbo deve ficar no singular.

É correto 'um bando de pombos pousaram no telhado'?

Quando houver um coletivo seguido de determinante no plural, o verbo fica no singular, embora haja gramáticos que aceitem o plural.

'Existe' fantasmas?

Não, o correto é existem fantasmas. O verbo existir é pessoal e concorda com o sujeito, mas o verbo haver é impessoal, e fica na 3ª pessoa do singular.

Vitaminas não previnem doença 'por si só'?

Por si só não é expressão fixa, só é adjetivo e concorda com o substantivo. Não confunda com a locução adverbial a sós, essa sim, invariável. Infectologistas entendem muito: de infecções.

Existe 'haja visto'?

Como tempo composto do verbo ver. Como conectivo, é haja vista.

Dúvidas - Regência verbal e crase

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