domingo, 5 de junho de 2022

Dúvidas - Regência verbal e crase

Nós vamos no banco, na praia, no cinema, no cartório, está errado?

O uso da preposição em com o verbo ir é característico da fala e escrita brasileira.

O verbo assistir no sentido de ver, o verbo visar no sentido de ter em vista e o verbo visar no sentido de almejar não aceitam o pronome lhe. É estranho?

E também errado. 

Muitos usam o verbo chamar, pronominal, sem pronome.

Super hiper errado!

Existe diferença entre chamar alguém à atenção e chamar a atenção de alguém?

E muita! A segunda significa advertir, repreender, e a primeira significa despertar interesse ou curiosidade.

Com o verbo comunicar se usa a preposição sobre. Está certo ou errado?

Absurdamente errado. Só se usa essa preposição com o verbo informar.

Conhecer é verbo transitivo direto ou indireto?

Sempre foi transitivo direto desde quando farmácia se escrevia com PH.

Desfrutar e usufruir são transitivos diretos ou indiretos?

Via de regra, são transitivos diretos. Por influência do sinônimo gozar, que pode ser transitivo direto ou indireto, esses verbos podem ser usados com a preposição de.

Posso dizer para alguém?

Você vai ficar nervoso. Para ficar tranquilo, diga a alguém.

O verbo ensinar não dispensa a preposição a antes de infinitivo. É isso?

Verdade. A exemplo de começar, o verbo ensinar aceita e exige a preposição a nessa situação.

O verbo faltar exige a ou de?

Sempre a preposição a.

Fazer com que é correto?

Tanto fazer que quanto fazer com que são expressões corretas.

Há erro quando digo Vi e gostei do filme ou Não entre nem saia do trem?

Não. Os gramáticos antigos consideravam erro usar verbos de regências diferentes com um só complemento, e somente verbos de regências iguais poderiam ter o mesmo complemento. Hoje, essas construções são aceitas.

Posso pedir para?

Depende. Se houver a ideia de licença, permissão ou autorização, poderá; caso contrário, não poderá.

Posso reparar as pernas?

Não, porque reparar sem preposição significa consertar (reparar TVs) ou indenizar (reparar prejuízos). No sentido de observar, usa-se com a preposição em (reparar no andar e no falar).

É errado 'apresento à Vossa Senhoria'?

Sim, porque antes de pronomes de tratamento não se usa a crase: Apresento a Vossa Senhoria as razões do meu ponto de vista. / Estes documentos pertencem a você. Só há três que aceitam a crase: senhora, senhorita, dona e madame.

É errado 'os adversários estavam cara à cara'?

Também, porque palavras repetidas dispensam o acento, mesmo que sejam femininas: gota a gota, frente a frente, cara a cara, lado a lado, passo a passo, dia a dia, uma a uma, ombro a ombro.

É errado 'faz tempo que não vou à festas' ou 'atendimento à pessoas com deficiência'?

Também, porque não se usa acento quando o A está no singular e a palavra seguinte no plural. Se o A vier seguido de S, ocorrerá crase: Faz tempo que não vou às festas. / Atendimento às pessoas com deficiência.

É errado 'TV à cabo', 'traje à rigor', 'estar à caminho / trabalho / serviço'?

Também, porque antes de palavras masculinas não se usa o acento, exceto se a locução prepositiva à moda de estiver subentendida: Escrevo à Camões.

Devo usar artigo antes de pronome possessivo?

Não necessariamente. É facultativo o uso do artigo antes de pronomes possessivos: Meu carro é novo. / O meu carro é novo. Também é facultativa a crase antes de pronomes possessivos femininos: Estou a sua disposição. / Estou à sua disposição. Só é obrigatória se houver elipse do substantivo: Referi-me à minha namorada e não à sua.

Posso responder 'o' telegrama?

Não, no sentido de dar resposta, usa-se com a preposição a: responder ao questionário, a inquérito, a processo, ao exercício. Só é transitivo direto quando o complemento for a própria resposta: Respondeu que estava feliz. / Respondeu que ia à festa.

Posso vir com o avião?

Não, só o Superman vem com o avião. Nós vamos, vimos, chegamos e voltamos no ou pelo avião.

Posso usar 'de lá de cima', 'de lá de baixo'?

Não, o correto é lá de casa, lá de fora, lá de dentro.

Posso dizer 'lembro de tudo'?

Não, os verbos esquecer e lembrar só aceitam a preposição de quando pronominais: Lembrei-me de tudo. / Esqueci-me da informação. Sem pronome, dispensam a preposição: Lembrei tudo. / Esqueci a informação.

Posso dizer 'de' que?

Não, usar a preposição de sem que um termo a exija tem um nome: dequeísmo. Só se usa quando o termo exige.

Posso usar o acento antes de nome próprio?

Sim, se for uma pessoa íntima: Enviei a carta à Patrícia. Se for uma pessoa desconhecida, evite: Enviei a carta a Patrícia. Se for uma pessoa famosa, não use: Referiu-se a Irmã Dulce. Só use se houver um adjetivo ou locução adjetiva: Referiu-se à religiosa Irmã Dulce.

O slogan da Sprite 'obedeça sua sede' está errado?

Sim, os verbos obedecer e desobedecer se usam com a preposição a: Obedeço ao regulamento. / Desobedeceu às leis de trânsito e foi multado.

Existe 'à esta altura'?

Não, porque somente os pronomes demonstrativos aquilo, aquele e aquela (e seus plurais) aceitam o artigo, os demais (este, esse, esta, essa, isto e isso) não, neles não pode haver crase.

Posso emprestar 'de' alguém?

Não, quem cede empresta, quem se beneficia do empréstimo toma emprestado.

O certo é dado ou dada a importância?

Varia, porque dado, dada, dados e dadas são particípios do verbo dar. Cuidado para não confundir com devido a, que é locução prepositiva, essa sim, invariável.

Posso pagar 'o' professor e perdoar 'o' devedor?

Não, esses verbos se usam com a preposição a quando se referem a uma pessoa ou instituição, e sem preposição quando se referem a uma coisa.

Posso dizer que viso 'este' emprego ou aspiro 'uma' vaga na universidade?

Não, os verbos aspirar e visar se usam com a preposição a no sentido de desejar, ter em vista, quando o complemento for um substantivo. Só dispensam a preposição quando seguidos de infinitivo: O Brasil visa ganhar o hexa.

É correto usar 'viva' os brasileiros?

Sim, porque os gramáticos antigos consideravam 'viva' como uma forma verbal. Hoje, aceita-se seu uso como interjeição, por associação com 'salve'.

É correto dizer 'ele procedeu o julgamento'?

Não, porque o verbo proceder se usa com a preposição a no sentido de realizar.

Posso depor 'à polícia'?

Não, você depõe na polícia, o verbo depor é intransitivo, e não transitivo indireto. A expressão que se segue é adjunto adverbial, não é objeto indireto, não pode ser substituída por 'a ele/a' nem 'lhe'.

Você se habitua com a situação?

Não, ninguém se habitua com, mas sim a. Esse verbo sofreu influência do sinônimo acostumar-se, que aceita ambas as preposições.

Posso fazer apologia ao crime?

Não, fazemos apologia de alguma coisa, assim como fazemos defesa. Esse sofre influência de elogio, que aceita a preposição a.

Não, o jornal divulga, porque repercutir é intransitivo e divulgar, transitivo direto.

Posso dar um palpite para o filme?

Não, você dá palpite sobre alguma coisa, e não para.

Posso agradecer a alguém 'pela preferência'?

Não, só se você inventar novas regras para a gramática. Quem agradece, agradece alguma coisa a alguém.

Ele faz isso para 'se' aparecer?

Não, porque o verbo não é pronominal. Seus sinônimos exibir-se e mostrar-se são pronominais.

Posso sair as 11h?

Não, usa-se a crase em horas exatas. Posso dizer 'você está servido'?

Não, quem oferece assim é desumano e maldoso. Prefira 'você quer experimentar'.

Por que 'bife à milanesa' e 'bife a cavalo'?

Na primeira há elipse (bife à moda de Milão), e na segunda não há. Não faz sentido pensar em bife à moda do cavalo.

Ela é candidata à rainha da festa?

Não se usa a crase nesse caso, embora 'rainha' seja feminino. Após a palavra 'candidato', usa-se masculino e singular, porque a ideia subentendida é a de cargo, o feminino só se usa se o cargo for oferecido apenas a mulheres.

Posso dizer: evite 'de' dirigir depois de beber?

Não, o verbo evitar é transitivo direto.

Posso dizer: não exceda 'dos' limites de velocidade?

Não, o verbo exceder é transitivo direto, mas pode ser usado com a preposição a, e não 'de'.

Você se depara ou depara com uma carteira no shopping?

O verbo deparar no sentido de encontrar por acaso, pode ser usado sem pronome ou com pronome, a última por influência do sinônimo encontrar-se.

É correta a crase depois da preposição até?

Sim, ela é facultativa na maioria dos casos: Vou até a / à lotérica. Tirando a prova real: vou até o / ao cartório.

Torna-se obrigatório para evitar ambiguidades: A enchente inundou a cidade até à igreja.

Eu estou 'de' férias ou 'em' férias?

As duas formas são corretas. Porém, se houver um adjetivo, usa-se apenas a preposição em: Ele está em férias coletivas.

Minha camisa cheira cigarro ou a cigarro?

Quando cheirar significa exalar cheiro ou parecer, exige a preposição a.

E quanto ao verbo mencionar?

É transitivo direto, mas exige objeto direto nominal. Se vocẽ quiser usar o complemento oracional, troque por informar.

Dúvidas - Concordância verbal e nominal

Quando um nome termina em S, mas não tem artigo (como Campinas, Santos, Patos etc.), o verbo fica no singular, vai para o plural ou tanto faz?

Deixe o verbo no singular.

Quando no sujeito aparecer a expressão um dos que ou uma das que, como faço?

Pode ficar tanto no singular quanto no plural.

E quando aparecer o pronome relativo quem?

Pode ficar na 3ª pessoa do singular ou concordar com o antecedente - imitando a regra do QUE.

Mais de um, pela lógica, são dois ou mais, quando houver essa expressão no sujeito, o verbo fica no singular?

Exatamente. Só vai haver plural quando esta indicar reciprocidade ou vier repetida. A concordância verbal não se faz com a ideia, exceto nos casos de silepse.

Usa-se muito o verbo ter pelo verbo haver.

Sim, já se consagrou esse uso. O slogan da Philco também registra esse: 'Tem coisas que só a Philco faz para você'. Nenhum brasileiro fala: Hoje há espetáculo? Por quê? Porque isso é coisa de português.

Por que o verbo ser fica no singular em: Um é pouco, dois é bom, três é demais?

Há indicação de quantidade, peso, medida, preço, tempo, valor.

A novela é 'Éramos Seis' ou 'Éramos em Seis'?

Não se usa os verbos ser e estar após a preposição em, com numeral cardinal.

Se eu digo que já 'bateu' três horas, comete erro?

Erro errado. Os verbos dar, bater e soar concordam com o número de horas. Se na frase aparece um sujeito expresso, o verbo concorda com ele.

Por que se usa a expressão cerca de apenas com números redondos?

Porque quando o número é exato, dispensa-se a expressão. 

Qual o certo: viva ou vivam os reis?

Tanto faz. Embora tradicionalmente seja considerado como uma forma verbal, concordando com o sujeito, que vem depois do verbo, já se aceita seu uso como interjeição, por associação com o termo 'salve', que é interjeição em português por ter perdido o sentido verbal que tinha no latim.

'salve os noivos' é uma expressão de cumprimento e 'salvem os noivos' é um pedido de socorro.

É correto dizer que tenho 'bastantes' amigos?

Sim. Bastante é pronome indefinido, e varia. Na linguagem do Direito, aparece como adjetivo, sinônimo de suficiente: Não há provas bastantes para condenar o réu. Não varia quando é advérbio: As crianças estão bastante doentes. Há médicos que dizem 'você precisa comer bastante frutas e verduras'. Eles entendem muito: de medicina.

É correto dizer e escrever que 'anexo' segue a nota fiscal, 'o café da manhã e o almoço estão incluso' e 'estou quites com a Receita Federal'?

Não, porque anexo não é advérbio, mas sim adjetivo. Evite usar 'em anexo'.

Incluso e quite são adjetivos, e todo adjetivo varia.

É correto dizer e escrever 'eles estão sós' ou 'eles estão a sós'?

Só pode ser advérbio (somente), nesse caso é invariável ou adjetivo (sozinho), neste caso é variável.

É correto dizer e escrever 'eu mesmo resolvi o problema'?

Não. Mesmo não varia quando é advérbio (realmente) ou conjunção (embora). Quando é pronome demonstrativo (próprio), varia.

Qual a curiosidade sobre a palavra alerta?

Ela é advérbio, e não varia. Só varia quando for substantivo.

É correto dizer que ela é uma 'pseuda' médica?

Não, porque pseudo é prefixo, e elemento invariável, não se liga a elementos no feminino. Não é adjetivo, por isso não existe 'pseudamente'.

É correto dizer que ela é 'meia' louca?

Não, porque meio só varia quando for substantivo (modo, maneira) ou numeral (metade). Quando for advérbio (mais ou menos), é invariável.

É correto dizer que ´é proibida entrada de estranhos'?

Não, as expressões é bom, é proibido, é vedado, é necessário e é permitido só variam quando houver um artigo ou outro determinante, caso contrário, ficam invariáveis.

Posso dizer 'o pessoal gostaram da festa'?

Não, a palavra 'pessoal', assim como turma, tem sentido plural e forma singular. Em ambos os casos, o verbo deve ficar no singular.

É correto 'um bando de pombos pousaram no telhado'?

Quando houver um coletivo seguido de determinante no plural, o verbo fica no singular, embora haja gramáticos que aceitem o plural.

'Existe' fantasmas?

Não, o correto é existem fantasmas. O verbo existir é pessoal e concorda com o sujeito, mas o verbo haver é impessoal, e fica na 3ª pessoa do singular.

Vitaminas não previnem doença 'por si só'?

Por si só não é expressão fixa, só é adjetivo e concorda com o substantivo. Não confunda com a locução adverbial a sós, essa sim, invariável. Infectologistas entendem muito: de infecções.

Existe 'haja visto'?

Como tempo composto do verbo ver. Como conectivo, é haja vista.

segunda-feira, 14 de março de 2022

Dúvidas - Termos acessórios e integrantes

 Como se chama o objeto direto com o mesmo radical ou sentido do verbo da oração?

É o objeto direto interno, cognato ou intrínseco.

Por que deve ser acompanhado de um adjetivo ou locução adjetiva?

Porque se não houver modificador, pode incorrer em uma redundância.

Como se chama o complemento indireto de um verbo não transitivo indireto?

Chama-se objeto indireto por extensão. Com pronome oblíquo tônico, alguns chamam de objeto indireto de opinião; outros, de dativo de opinião. Com pronome oblíquo átono, alguns chamam de pronome de interesse, dativo ético ou de proveito; para outros, é um mero expletivo, sem função sintática, com uso apenas estilístico (de ênfase, expressividade).

Por que a NGB adotou a nomenclatura adjunto adverbial e adjunto adnominal?

Há sequência de dois prefixos iguais que transmitem a mesma ideia. 

Qual a diferença entre o agente da passiva e o complemento nominal?

O agente da passiva possui correspondente na voz ativa, enquanto o complemento nominal não. Exemplo: O rapaz foi assediado pela colega (A colega assediou o rapaz) / O rapaz estava apaixonado pela colega (?)

Por que nem todo adjunto adverbial é acessório?

São rigorosamente adjuntos adverbiais os que se referem a verbos que não precisam de termo preposicionado para completar seu sentido. Quando é necessário, e não pode ser considerado acessório, é considerado complemento circunstancial.

Que tipo de verbo pode ter adjunto adverbial?

Qualquer um, inclusive o de ligação.

Dúvidas - Verbo

 Quanto ao verbo pegar, existe ou não o particípio pego?

Existe. O verbo pegar tem dois particípios: pegado (que se usa com ter e haver) e pego (que se usa com ser, estar e ficar).

E quanto aos verbos ganhar, gastar e pagar? Ainda posso usar os particípios ganhado, gastado e pagado?

Sim, mas só com os verbos ter e haver. A língua moderna dá preferência aos particípios irregulares ganho, gasto e pago, o que faz com que essas formas regulares caiam em desuso.

E o verbo aceitar?

É abundante, tem dois particípios: aceitado (que se usa na voz ativa, com ter e haver) e aceito (que se usa na voz passiva, com ser, estar e ficar).

E o verbo chegar? É abundante?

Não, só existe o particípio chegado. A forma chego só existe no presente do indicativo.

Mas o verbo empregar é abundante?

Não. Só tem um particípio: empregado. Não há o suposto particípio empregue, que surgiu por influência de entregue. Empregue só existe no presente do subjuntivo, imperativo afirmativo e negativo.

Entregar é verbo abundante?

É, tem dois particípios: entregado (que se usa com ter e haver) e entregue (que se usa com ser, estar e ficar).

E o verbo adequar?

É defectivo, só tem as formas arrizotônicas: adequamos, adequais (presente do indicativo); adequemos, adequeis (presente do subjuntivo); adequemos, adequai (imperativo afirmativo); não adequemos, não adequeis (imperativo negativo). Nos outros tempos, tem conjugação regular, como cantar. As formas inexistentes devem ser supridas pelas do sinônimo adaptar.

E o verbo competir?

É irregular, e não defectivo. As formas compito e compita parecem estranhas, mas são corretas.

Mas computar é defectivo?

Sim, não se conjuga nas três primeiras pessoas do presente do indicativo. Sendo assim, não se conjuga no presente do subjuntivo, tu, você, nós e vocês do imperativo afirmativo e no imperativo afirmativo. Nos outros tempos, tem conjugação regular, como cantar. As formas inexistentes devem supridas por sinônimos, como calcular, estimar ou programar computadores.

Exorbitar não é pronominal?

Não. Esse verbo dispensa a companhia do pronome oblíquo.

Simpatizar e antipatizar não são pronominais. Acertei?

Acertou. Eles não se usam com pronome.

Sobressair não é pronominal. Acertei mais essa?

Acertou. Não é verbo pronominal, apesar de um dicionário registrá-lo assim.

E o verbo reaver?

É derivado de haver, e se conjuga apenas nas formas em que este mantém a letra v. As formas inexistentes são supridas pelos sinônimos recuperar ou resgatar.

E o verbo precaver?

É defectivo, conjuga-se apenas nas formas arrizotônicas. Não deriva de ver, nem de vir, nem de haver. As formas inexistentes são supridas pelos sinônimos prevenir ou acautelar.

E o verbo suar?

É regular. Você não soa, você sua. A menos que você transpire sons.

O que o verbo consumar tem de especial?

Os verbos da 1ª conjugação tem a desinência modo-temporal -e no presente do subjuntivo. A maioria usa consuma, fazendo confusão com a forma do verbo consumir, que é da 3ª conjugação.

Posso 'confessar' e 'comungar-me'?

Não, vai ter pecado na gramática. O verbo confessar é pronominal (confessar-se), mas o verbo comungar é intransitivo.

O verbo remir é defectivo?

Sim, só possui as formas arrizotônicas. Nas formas inexistentes, é substituído pelo sinônimo redimir.

Posso 'me' trocar?

Não existe, você troca de roupa.

É correto dizer: não 'conta' para ninguém?

Não, porque o imperativo negativo é formado a partir do presente do subjuntivo. O S só desaparece nas segundas pessoas do imperativo afirmativo: Cumprimenta teu amigo. / Cumprimentai vosso amigo.

O time 'classifica' para a Libertadores?

Não, ele se classifica para qualquer seleção. 

O ônibus passa 'na' porta?

Não, ele passa à porta.

Você se consulta com um médico?

Não, consulta um médico, porque o verbo é transitivo direto e não pronominal. 

Posso dizer que ele 'negoceia' o crédito com o banco ou a associação 'premeia' mulheres empreendedoras?

Sim, pode se usar ambas as formas, em Portugal se usa 'negoceia' e 'premeia' e no Brasil, negocia e premia.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2021

Dúvidas - Vícios de linguagem

 Aluno que não estuda fica 'de' recuperação?

Não, aluno que não estuda fica para recuperação.

Posso dizer que sou 'de' menor ou 'de' maior?

Não, você é maior de idade ou menor de idade ou simplesmente maior ou menor.

Neste ano, o Natal vai cair 'de' sábado. É verdade?

Mentira. Pode cair num domingo, numa segunda-feira, terça-feira, quarta-feira, quinta-feira, sexta-feira, num sábado etc. Não use a preposição de neste caso, mas a preposição em.

'De' domingo não tenho aula. Isso é muito bom?

Péssimo! A quem precisa aprender, não haver aula aos domingos é muito ruim. Quem usa isso precisa de muitas aulas de português também às segundas-feiras, terças-feiras, quartas-feiras, quintas-feiras, sextas-feiras e aos sábados.

Sabe por que não comprei o caderno 'aspiral'? 'Por causa que' estava sem dinheiro. Vou ser castigado por isso?

Não será castigado por não poder comprar o caderno, mas por dizer coisa sem coerência. Onde existe caderno 'aspiral'? Em Marte? Em Júpiter? Na Terra só se compra caderno espiral ou espiralado. Por causa que é linguagem de ET. Aqui só se usa por causa de ou porque. 'Por causo que' é coisa do Pagode da Ofensa, Porta dos Fundos, Parafernalha e Desconfinados.

Causo é apenas um substantivo, que surgiu pela contração das palavras caso e causa.

Por falar em nonsenses, a mulher do médium é a 'média'?

Não, a mulher é tão médium quanto o homem. Média é outra coisa.

O professor 'se' acorda cedo ou tarde?

Não, o verbo não é acordar-se, mas apenas acordar.

Quando acordo, acordo com aquela 'pigarra' irritante.

Pigarra só galinha tem, pessoas tem pigarro. 

Posso ser 'xereto'?

Em hipótese alguma! O que se pode ser é xereta, tanto para o homem quanto para a mulher.

Posso falar 'no' telefone ou 'no' microfone, sentar 'na' mesa ou 'no' computador, dormir 'no' volante?

Não, porque é a preposição a indica proximidade, e não em, que indica interioridade.

Dê um 'chego' até aqui?

Isso não é linguagem de gente. Só atendo quem chega.

Posso dar uma espirrada?

Nunca, convém usar espirro.

Devo fazer meu 'dever' sozinho ou acompanhado?

Dever no singular é obrigação, tarefas escolares são deveres, sempre no plural.

'Que' horas começam as aulas amanhã?

Antes do que interrogativo sempre se usa a preposição a.

Nunca ouvi uma coisa 'dessa'?

Vai ouvir uma frase destas: depois de um substantivo, em frases semelhantes, usa-se destes, desses, daqueles etc.

Sempre compartilhei 'dessa' opinião.

Compartilhe nossa emoção, esse verbo não exige a preposição de.

Se eu não tivesse perdido, teria de ir para a 'Antártida', condenado a 10 anos de trabalhos forçados?

Não, porque essa região não existe no planeta. O que existe é uma região gelada da Terra, no Polo Sul, chamada Antártica. Essa, sim, Deus criou. Antártica vem de Ártico.

Mulher 'dá à luz a' um bebê?

Não, mulher dá à luz, sem ser seguida da preposição a. Neste caso, significa entregar alguém ao mundo.

Daqui 'em' Salvador, São Luís, Manaus ou Belém é longe?

Mega ultra plus advanced super hiper hi tech longe. Com daqui, usa-se a, e não em.

Você é 'que nem' meu pai?

Fale como gente que entende.

O professor me acompanha ovos 'estalados'?

Ovo estalado faz mal, prefira ovos estrelados, vai fazer bem à saúde (também da língua). No sufoco, diga ovos fritos.

Você deu entrada no processo?

Não, só se dá entrada a um processo.

Essa pizzaria entrega a domicílio?

Não, todo lugar entrega em domicílio. 'A domicílio' se usa com verbos que indicam movimento. Sem crase, não existe crase antes de palavra masculina, a menos que esteja subentendida a palavra moda: redação à Guimarães Rosa.

Você entrou de sócio ou joga de goleiro?

Não, só se entra como sócio e só se joga como goleiro, 'entrar de sócio' e 'jogar de goleiro' são imitação de construção italiana.

Quem é desinteressado repete de ano?

Não, repete o ano, 'repetir de ano' é construção italiana.

Você entra na Justiça?

Não, entra com ação na Justiça.

É correta a expressão 'ao vivo e a cores'?

Errada. Não existe televisão 'a preto e branco', mas sim 'em preto e branco'. O correto seria 'em cores'.

Por que se usa TV a cabo, e não 'por cabo'?

Popularizou-se essa expressão pela semelhança com 'barco a vela', 'fogão a lenha', 'forno a gás' e 'festa à fantasia'. Não vejo incoerência, porque já está consagrada a expressão 'TV por assinatura'.

A temperatura pode ser quente ou fria?

Frio ou quente só pode estar o tempo. A temperatura pode ser alta ou baixa.

Quando ofereço uma coisa a alguém, como pergunto: 'Você está servido' ou 'Quer experimentar'?

De preferência, pergunte: Você quer experimentar? 

Um acidente causa vítimas fatais?

Só para nossos jornalistas. Fatal é o que mata: o acidente, o disparo, a queda, o veneno. A pessoa não mata - morre. É vítima, ou morto.

É possível capturar inimigos?

Impossível. Capturar é conquistar, prender ou apreender, captar é obter, recolher, entender ou receber.

O que são pleonasmos viciosos?

São a capacidade que as pessoas têm de repetir ideias com palavras diferentes, mas com mesmo sentido, na fala na escrita. Eis alguns deles: subir para cima, descer para baixo, entrar para dentro, sair para fora, acabamento final, metades iguais, recuar para trás, avançar para frente, seus respectivos, metades iguais, sorriso nos lábios, se caso, mas porém, almirante da Marinha, general do Exército, brigadeiro da Aeronáutica, anexar junto, amanhecer o dia, canja de galinha, consenso geral, conclusão final, coletivo de todos, individual de cada um, destaque excepcional, sintomas indicativos, superávit positivo, déficit negativo, crise caótica, decapitar a cabeça, degenerar para pior, fato real, frequentar constantemente, demente mental, fato real, dois gêmeos, surpresa inesperada, programar primeiro, erário público, surpresa inesperada, completamente vazio, expulsar para fora, importar para dentro, exportar para fora, exultar de alegria, planejar antecipadamente, hemorragia de sangue, hepatite do fígado, infarto do coração, labaredas de fogo, infiltrar-se para dentro, imprensa escrita, empréstimo temporário, monopólio exclusivo, discussão tensa, beco sem saída, templo sagrado, ultimato final, modelo de referência, consultoria especializada, última versão definitiva, vereador da cidade, outra alternativa, certeza absoluta, juntamente com, encarar de frente, protagonista principal, preconceito intolerante, evidência concreta, resultado do laudo, deferir favoravelmente, retornar de novo, repetir de novo, expectativa futura, retrospectiva passada, autocontrolar-se, despesas com gastos, fone de ouvido, dupla de dois, hermeticamente fechado, um mês de mensalidade, si mesmo, vandalismo criminoso e reapresentar de novo.

Prefeitura municipal, comparecer pessoalmente e pessoa humana é pleonasmo vicioso?

Não, porque existem prefeituras nas universidades, existe pessoa física e pessoa jurídica, a pessoa pode comparecer por procuração. Pleonasmo está em 'vereador municipal', porque não existe vereador estadual nem vereador federal. 

É pleonasmo 'número PIN', 'formato PDF' e 'Bicbanco'?

PDF já é sigla de Portable Document Format e PIN, de Personal Identification Number. Se BIC já significa Banco Industrial e Comercial, não há necessidade de usar 'Banco' após a sigla.

Há pleonasmo em sistema ABS?

Pleonasmo do pleonasmo! ABS já é sigla alemã de antiblockiersystem. Já contém a palavra sistema.

Imprensa escrita é pleonasmo?

Sim, porque imprensa se refere a jornal, revista e outros impressos. Quando a linguagem abrange rádio, televisão, cinema, internet e outros meios de comunicação, deve se usar mídia. 

As emissoras de televisão dizem 'logo em seguida', 'gira em torno', 'voltamos após o intervalo', 'vamos informar a hora certa'. Isso é pleonasmo?

Também. Logo e em seguida são sinônimos. Girar ao quadrado é impossível. Se não voltar não é intervalo, é o final do programa. Nenhuma emissora informa a hora errada. 

Existe o verbo inicializar?

Sim, mas é termo restrito à informática. Nos outros casos, use iniciar.

É correto dizer 'eu confirmo minha aderência a esta ideia'?

Não. Tanto adesão quanto aderência derivam de aderir, mas o primeiro se usa para pessoas e o segundo para coisas e substâncias.

É correto dizer 'a alegria é contagiosa' e 'a doença é contagiante'?

Não. Tanto contagioso quanto contagiante derivam de contágio, mas o primeiro se usa para doenças e o outro para sentimentos e valores.

É correto dizer 'meu batizado', ou o certo seria 'meu batismo'?

Tanto faz, batizado pode ser adjetivo (pessoa que recebeu o batismo), verbo (particípio de batizar) ou substantivo (cerimônia ou festa do batismo), batismo só pode ser substantivo.

Existe 'superávite'?

Se o VOLP registra défice como aportuguesamento de deficit, deve registrar superávite para superavit e hábita para habitat.

Existe 'massivo'?

Via de regra, não deveria existir. É uma adaptação do inglês massive, que em português se diz maciço. O VOLP houve por bem registrá-la.

Existe primeiramente?

O VOLP registra, mas não deveria existir, porque não existem segundamente, terceiramente, etcmente etc., e primeiro é um numeral e não forma advérbio de modo. 

Existem crianças de 0 a 6 anos?

Não, só existem crianças de até 6 anos. Zero ano não existe, ano se completa a partir de 365 dias.

Posso dar uma 'pesquisada' ou uma 'revisada'?

Evite, prefira dizer 'vou pesquisar' e 'vou revisar'. Ou então 'vou fazer uma pesquisa' ou 'vou fazer uma revisão'.

Existe 'impassividade'?

Não, a qualidade de quem é impassível (insensível à dor e ao sofrimento) é impassibilidade.

Posso 'reverter' o quadro?

Não. Em bom português, reverter é voltar à situação anterior, converter-se em benefício. Se não houver a ideia de retorno, substitua o verbo: mudar o quadro, inverter o placar.

Posso correr atrás do 'prejuízo'?

Só derrotados fazem isso, vencedores compensam o prejuízo.

E reaver o prejuízo?

É uma incoerência. Na verdade, a pessoa quer ser indenizada pelo prejuízo.

Posso 'realizar' missa, curso, exposição, show?

Não, o verbo realizar significa tornar real. Em vez de 'realizar' curso ou oficina, use promover - se for instituição ou ministrar - se for professor, 'realizar' show, estrear, 'realizar' exposição, abrir, apresentar, inaugurar, 'realizar' missa, batizado, casamento, celebrar.

Israelense = israelita e paulista = paulistano?

Não. Israelense é o natural ou habitante de Israel; relativo ao Estado de Israel e israelita se refere à religião judaica ou ao povo de Israel no sentido bíblico.

Paulista é o natural do Estado de São Paulo, aplica-se àquilo que é relativo ao Estado e paulistano é o natural da cidade de São Paulo; aplica-se àquilo que é relativo à cidade.

Existe 'cuspido e escarrado'?

É a expressão popular, mas a correta é esculpido e encarnado. O povo mudou a expressão, porque não entendia de escultura nem de encarnação.

É correto 'minha' férias?

Não, porque esse substantivo só se usa no plural: férias escolares, remuneradas, coletivas etc.

Juiz = árbitro?

Não, juiz é magistrado que julga em tribunais e fóruns, que tem curso superior, e árbitro é mediador de jogos esportivos.

O certo é 'ave-maria' ou 'ave, Maria'?

A primeira é a oração, e a segunda é uma locução interjetiva, usada em situações de surpresa, espanto, susto ou indignação.

Existe 'normatização'?

Sim, mas prefira usar normalização, embora exista o adjetivo normativo.

Posso dizer que é uma boa 'esticada'?

Não, uma caminhada longa é uma estirada.

O certo é Antigo ou Velho Testamento?

A primeira, porque a segunda transmite a ideia de que o livro está ultrapassado ou defasado.

Posso dizer que moro em 'S.' Paulo?

Não, porque nomes geográficos não se abreviam. São exceções as siglas dos estados da Federação.

Existem os verbos 'inocorrer', 'inaplicar', 'impagar', e 'improver', muito usados por nossos adevogados?

Não, mas existem impagável e inaplicável. O prefixo in se liga a adjetivos (infeliz), advérbios (infelizmente) e substantivos (infelicidade), nunca a verbos, com algumas exceções, como imortalizar, impossibilitar e impermeabilizar. Em vez de 'inacolher', os advogados usam desacolher. Existem desprover e desprovimento, mas não improver nem improvimento. Improvido existe.

Existe a expressão 'no que pertine'?

Só para os adevogados. Do latim pertinere, surgiram no português o verbo pertencer, o adjetivo pertinente e o substantivo pertinência. Não existe o verbo pertinir. Os advogados usam: no que concerne a.

A palavra presidente deriva do verbo presidir; crente, de crer; doente, de doer; ouvinte, de ouvir; agente, de agir; atuante, de atuar; seguinte, de seguir; temente, de temer; consistente, de consistir; existente, de existir; falante, de falar; dependente, de depender. Concernente vem de concernir.

Por que Aparecida é 'do Norte'?

O nome oficial da cidade onde se situa a maior basílica do Brasil, dedicada à padroeira do nosso país, Nossa Senhora Aparecida, chama-se apenas Aparecida. Esse complemento ao nome da cidade se explica pela construção da Estrada de Ferro do Norte.

É correto usar a 'aparição' do papa no terraço da basílica?

Não, porque existe diferença entre aparição e aparecimento. A primeira se usa com fenômenos e seres sobrenaturais e a segunda, nos demais casos.

É correto usar plantel em referência a jogadores de futebol?

Sim, embora alguns manuais de redação digam que não.

Posso dizer 'cheguei atrasado em função do trânsito'?

Não, a expressão em função de só deve ser usada quando houver ideia de finalidade ou dependência. Para a ideia de causa, usa-se por causa de, em razão de, devido a, em virtude de.

Posso dizer 'graças a você, perdi o horário'?

Não, graças a é uma expressão de sentido positivo. Em frases negativas, só pode ser usado como ironia.

Posso abreviar apartamento como apto?

Não, apto é adjetivo, a abreviação é apart ou ap, que também é abreviação de aprovado e apêndice.

Posso dizer 'brasileiros e brasileiras'?

Não, quando se diz brasileiros já engloba mulheres. 

Posso dizer que minha pele está descascando?

Não, pessoas têm pele, cebola, laranja, batata etc. têm casca. Você se despela, comidas se descascam.

Posso dizer que 'terminei' de ler o livro?

Não, antes de substantivo se usa terminar, e antes de infinitivo, acabar.

Posso dizer 'após acabar de almoçar, escove os dentes'?

Não, antes de substantivo se usa após, e antes de infinitivo, depois.

Posso acenar a mão?

Não, o verbo acenar se usa com a preposição com.

Posso ter 'ameaça' de infartar?

Antes não podia, mas agora pode, porque ameaça só se usava quando estivesse associado à intimidação, punição ou agressão. Nossos dicionários já registram ameaça como sinônimo de 'indício de acontecimento desagradável'.

Se você é rico e não gasta, 'que dirá eu'?

Não, a expressão correta é que se dirá de mim.

A doença está em 'estágio' terminal?

Antes não podia, mas agora pode, porque estágio e estádio são sinônimos no sentido de etapa, fase. No sentido de período de aprendizagem e preparação, usa-se apenas estágio. No sentido de espaço para competições esportivas, usa-se apenas estádio.

Os deputados e senadores 'legisferam'?

Não, o verbo é legiferar, a forma 'legisferar' surgiu por influência de legislar, legislação e legislativo.

A vítima 'veio' a óbito?

Não, ela foi a óbito. Se quiser usar o verbo vir, diga que a vítima veio a falecer.

Posso dizer que o jogador 'medrou' diante da derrota?

Não, medrar significa crescer, progredir, desenvolver, prosperar. Não tem a ver com medroso, não significa tremer ou ter medo.

Quando uma coisa é estranha, é 'estrambólica'?

Não, o que é estranho é estrambótico, 'estrambólico' surgiu por influência de hiperbólico e simbólico.

Posso dizer que levei uma 'mordida' de pernilongo?

Não, só morde quem tem dentes, quem não tem pica.

Existe São Vicente de 'Paula'?

Não existe esse santo. O que os católicos conhecem é São Vicente de Paulo, que não se confunde com São Francisco de Paula. Não devemos confundir: dizemos São Francisco de Paula (com a) por ter nascido em Paola, cidade italiana da Calábria. São Vicente de Paulo (com o) nasceu na França. Paulo é nome da família de origem (De Paul), e não designativo de lugar como Santo Antônio de Pádua, São Francisco de Assis e assim substantivamente.

O instrutor militar diz 'acelerado' ou 'celerado'?

Acelerado, porque celerado é bandido.

A loja comemorou 'bodas' de fundação?

Não, porque bodas só se usa para aniversário de casamento e jubileu, para empresas e instituições.

E quanto à palavra 'desencarne', usada pelos espíritas?

Não existe, embora exista a palavra 'encarne'. Se dizemos encarnação, também dizemos desencarnação. 

Existem 'evidências' ou 'provas'?

Em bom português, evidência significa a qualidade daquilo que não deixa dúvida, e prova é a demonstração de que algo é verdadeiro. Esse uso de evidência como sinônimo de prova é uma tradução indevida do inglês evidence, e das legendas dos filmes policiais. O mesmo ocorre com a palavra portuguesa êxito que significa sucesso, e a palavra inglesa exit que significa saída. Em inglês êxito se diz success.

Na linguagem médica, usa-se o sufixo 'lógico' como mera desinência de adjetivação sem que se refira a estudo. Eles acertam ou erram? 

Erram, porque a maioria dos substantivos terminados em logia se referem a estudos - pneumologia, dermatologia, urologia, endocrinologia.

Posso dizer que me atrasei 'por conta do' trânsito?

Não, em bom português a expressão 'por conta de' significa algo que está sob a responsabilidade de alguém, custeado ou financiado por alguém. Se houver a ideia de causa, use por causa de, devido a, em virtude de ou em razão de.

Na TV o repórter e o jornalista dizem que alguém morreu eletrocutado. Eles acertam ou erram?

Erram, porque eletrocussão é quando a pessoa é executada por um choque elétrico. No caso de acidentes, o correto é eletroplessão. Ou seja, se alguém mexe na tomada é eletroplessado. 

Marido que vive à custa da mulher é parasito ou parasita?

Até 2000, parasito era usada para pessoas e animais e parasita era usada apenas para plantas. Desde 2000, usa-se parasita em todos os sentidos.

Na minha cidade faz 36 graus centígrados ou Celsius?

Até 1948 se usava centígrados. Desde 1949, usa-se Celsius.

Explicar = justificar?

Não. Explicar significa tornar compreensível e justificar, demonstrar.

Greve = lockout e falência = insolvência?

Falência só se usa para empresas. Para pessoas físicas, usa-se insolvência. Quem faz greve é empregado, patrão faz lockout.

A expressão 'uso abusivo' é correta?

Não, é o pleonasmo do pleonasmo. O correto é uso excessivo, indiscriminado ou exagerado. 

Migrar = emigrar = imigrar?

Não. Migrar é deslocar-se, emigrar é sair do país e imigrar, entrar no país. Mesmo raciocínio para migração, emigração e migração, migrante, emigrante e imigrante.

Existem os verbos obstaculizar e precificar?

Sim. O substantivo correspondente a precificar é precificação. Obstaculizar é usado apenas no Brasil, os portugueses usam obstar.

Existe jogo de pimbolim e biboquê?

Não, o jogo é pebolim e o brinquedo é bilboquê.

Por que usamos sudeste e não suleste, se existe a combinação de sul + este?

Assim como em sudeste, houve influência do espanhol sud.

Existe a palavra lancheteria?

Oficialmente não. Existe lancheria, usada pelos gaúchos, enquanto o restante do Brasil usa lanchonete. Essa palavra surgiu pela semelhança com cafeteria.

Judeu = judaico? Hebreu = hebraico?

Não. Judeu e hebreu se usam para pessoas, judaico e hebraico para coisas.

Valorizar = valorar?

Não, valorar é determinar o valor ou preço e valorizar é dar valor a alguma coisa.

Inenarrável = inarrável?

Até 1999 não, mas desde o ano de 2000 são consideradas sinônimas, com preferência pela primeira.

Vendível = vendável?

Não, vendível é o que está à venda e vendável é o que pode ser vendido facilmente.

Tempestivo e intempestivo têm a ver com o quê?

Têm a ver com tempo. A primeira significa no tempo certo, e a segunda é fora do momento oportuno. Há quem confunda com tempestuoso, que tem a ver com tempestade e, em sentido figurado se usa como sinônimo de turbulento, violento.

Já vi repórteres e jornalistas dizendo que o motorista perdeu a direção do carro. Isso está correto?

Errado, porque perder a direção é perder o rumo, não saber ao certo onde a pessoa está. O que costuma acontecer é o motorista perder o controle do carro, ônibus, caminhão, trem etc.

É correto dizer que até os jornalistas não puderam comparecer ao evento?

Não, usa-se até quando houver a ideia de inclusão, por exemplo: 'Até o médico lá esteve'. Se houver a ideia de exclusão, usa-se nem, por exemplo: 'Nem o médico lá esteve'.

Os jornalistas esportivos usam assistência para qualquer passe. Está correto?

Errado, porque assistência só pode ser usado para passes que levam a um gol. 

O correto é surdo ou deficiente auditivo?

Depende. Se a pessoa tiver perda profunda e não escutar nada, ela é surda. Se a pessoa tiver perda leve ou moderada e tiver parte da audição, ela é considerada deficiente auditiva. 

Dúvidas - Período composto

 Qual a diferença entre as orações subordinadas adverbiais causais e as orações coordenadas explicativas, visto que ambas podem ser iniciadas por que e porque?

Às vezes é difícil estabelecer essa diferença, mas - como o próprio nome indica - as causais trazem sempre a causa de um fato que se revela na oração principal, que traz a consequência. Essa noção não existe no período composto por coordenação. Em 'A criança estava doente, porque estava chorando', a oração iniciada pela conjunção traz apenas a explicação do que se revelou na oração anterior: o choro da criança não é a causa da doença. Em 'Luís está triste porque perdeu seu emprego', está evidente que a oração iniciada pela conjunção é causal, uma vez que, sem dúvida, a perda do emprego é a causa da tristeza de Luís.

Em 'Agiu como se tudo estivesse resolvido', existem duas ou três orações?

Apenas duas. Para efeito de análise, 'como se' é uma locução conjuntiva comparativa. Portanto, a oração iniciada por essa expressão é apenas comparativa. Antigamente se exigia esse desdobramento: Agiu como agiria se tudo estivesse resolvido.

Esta oração é chamada de comparativa hipotética.

Como se classificam as orações iniciadas por 'sem que'?

Tanto entre as concessivas e as condicionais. As modais existem, porém apenas como reduzidas, porque não existem conjunções modais.

Por que não se deve tomar parataxe como sinônimo de coordenação?

Esse termo pode ser tanto uma relação de coordenação tanto de subordinação, quando as orações se relacionam por justaposição, não por conectivos. 

Hipotaxe é sinônimo de subordinação?

Sim.

Qual a diferença entre as orações adjetivas restritivas e explicativas?

As restritivas restringem, delimitam, particularizam o sentido do substantivo ou pronome antecedente na oração principal, enquanto as explicativas generalizam, universalizam seu sentido. As restritivas são indispensáveis para a compreensão, enquanto as explicativas podem ser retiradas da frase sem nenhum prejuízo ao sentido. As explicativas vêm separadas por vírgula, travessão ou parênteses, enquanto as restritivas não vêm separadas por pontuação.

A preposição é facultativa nas orações subordinadas substantivas objetivas indiretas?

Sim.

E nas completivas nominais?

Também.

Posso retirar a conjunção integrante nas orações subordinadas apositivas?

Sem sombra de dúvida! 

Existe um vício de linguagem que consiste no uso da preposição de sem que um termo a exija?

Sim, chama-se dequeísmo.

Existe oração que possa substituir o agente da passiva?

Sim. Ela é iniciada por de ou por + pronome indefinido, e é sempre justaposta.

Existem outras orações subordinadas adverbiais?

Sim, a modal (expressa o modo relacionado à oração principal) e a locativa (expressa ideia de lugar).

Uma oração coordenada aditiva pode vir reduzida de gerúndio?

Sim. Exemplo: O balão subiu muito, desaparecendo no céu.

Dúvidas - Termos essenciais da oração

 Para encontrar o sujeito, deve-se fazer a pergunta 'o quê?' sempre?

Se for para coisa. Para pessoa, pergunte 'quem'.

Se for verbo de ação, como faço a pergunta? E se for verbo de ligação?

'O que / quem pratica a ação' se for voz ativa, e 'O que / quem sofre a ação' se for voz passiva, 'O que / quem tem a qualidade' se for verbo de ligação.

O sujeito não pode ser oculto, como se vê em muitos sites de internet?

Não, porque oculto significa que está escondido. Quando se constrói 'Falamos a verdade' o sujeito está evidente, através da desinência verbal. O sujeito se diz desinencial ou implícito na desinência verbal.

E o sujeito elíptico, que se vê nas gramáticas?

Isto non ecziste! O sujeito estará sempre implícito na desinência verbal. Quando a desinência for zero, o contexto indicará o sujeito, se for eu ou ele.

Quando o sujeito for um pronome indefinido, é indeterminado?

Não, porque sujeito indeterminado nunca apresenta elemento na oração. Sujeito representado por pronome indefinido sempre será simples, porque ele existe. A indeterminação é apenas semântica.

Existe o sujeito inexistente, que se vê nos manuais de redação?

Não, porque não se pode chamar de sujeito aquilo que não existe. Neste caso, quando a oração não possui sujeito, mas apenas o predicado, chama-se sujeito zero ou oração sem sujeito.

Nas orações com imperativo, como se classifica o sujeito?

O sujeito geralmente é desinencial. Com os verbos bastar e chegar, seguidos da preposição de, a oração não apresenta sujeito.

Quando se diz 'Choveram ofensas na exposição', a oração não tem sujeito?

Tem sujeito. O verbo não está sendo usado em sentido literal, mas em sentido figurado. Se o sujeito estiver no plural, o verbo deve variar normalmente. Qualquer verbo impessoal, usado em sentido conotativo, deixa de ser impessoal para ser pessoal.

Quando digo 'Ele faz trabalho comunitário', o sujeito é inexistente?

Não, quem é impessoal é o verbo fazer no sentido de tempo decorrido: 'Faz dois meses que me formei'. No exemplo acima, o verbo é pessoal e tem sujeito. O sentido de que ele faz treze anos é de que ele está aniversariando.

Dúvidas - Regência verbal e crase

Nós vamos no banco, na praia, no cinema, no cartório, está errado? O uso da preposição em com o verbo ir é característico da fala e escrita ...