terça-feira, 19 de janeiro de 2021

Dúvidas - Pronome

 Qual o tratamento que devo usar em uma correspondência oficial dirigida ao Presidente da República?

Use Vossa Excelência, sempre por extenso, por ser mais respeitoso. Na invocação, use: Excelentíssimo Senhor Presidente da República.

Posso dizer que entre 'eu' e o professor existe muita amizade e respeito?

Não. Você disse a verdade, mas de forma errada. Os pronomes eu e tu só se usam antes de verbo. Caso contrário, usa-se mim ou ti.

Para demonstrar respeito, posso usar a segunda pessoa do plural (vós)?

Esse tratamento costuma ser usado por quem ocupa posição inferior à do destinatário. Essa pessoa tem uso extremamente restrito na língua contemporânea, por isso tende a desaparecer por completo na comunicação. Só subsiste nos pronomes de tratamento iniciados por Vossa e em muitos cristãos, sobretudo os católicos. Há pessoas que em uma fala de nenhum interesse, usam esse pronome com desejo de agradar a seus ouvintes e conseguir alguma coisa.

Em quais partes do Brasil se usa o tu e em quais se usa o você?

Para ser bem exato geograficamente, é comum falar-se o "tu" no Brasil nas seguintes regiões: no estado do Rio de Janeiro, em grande parte do estado de Minas Gerais, nos estados de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul, no sul do estado do Paraná, em toda a região Nordeste com exceção do estado da Bahia, em toda a região Norte, no Distrito Federal, e na região metropolitana de Santos no estado de São Paulo.

Contudo, em quase todos esses lugares se utiliza a conjugação verbal incorreta, de terceira pessoa do singular. Somente no litoral de Santa Catarina, em alguns lugarejos do Rio Grande do Sul e na região metropolitana de Belém do Pará é que se conjuga o verbo corretamente, na segunda pessoa do singular.

Os lugares onde praticamente não se usa o "tu" no dia a dia são a região Centro-Oeste na sua quase totalidade, o estado da Bahia, e a maior parte dos estados de São Paulo, Paraná e Espírito Santo.

Quando me dirijo a Deus em suas preces, devo usar Vós?

Sim. Nas suas preces ao Criador, use sempre Vós e inicial maiúscula nos pronomes pessoais do caso reto e oblíquo correspondentes.

Posso dizer que a mulher do meu vizinho é minha 'senhora'?

Só para os humoristas. Ninguém é 'senhora' de ninguém, só se você for deputado ou inventar novas regras para a gramática. As pessoas casadas devem ser chamadas de marido e mulher ou de esposo e esposa.

Posso usar 'não vi ela' ou 'não beijei ela'?

Nem com o maior carinho faça isso, se estiver escrevendo em um concurso, vestibular, prova, Enem ou exame da OAB e Detran. Quando estiver falando em casa, com os amigos, parentes etc., ou escrevendo um poema, não faz mal. Nesse caso, o cuidado maior é com a língua escrita.

Por que devo usar avisá-lo, comunicá-los?

Porque o pronome oblíquo o (e variações) adquire a forma lo (e variações) depois de verbos terminados em r, s ou z. Se a forma verbal termina em som nasal, o pronome se transforma em no (e variações), não desaparecendo nenhuma letra da terminação do verbo.

Posso dizer que 'você' imagina quanto eu 'te' amo?

Não, nem mesmo se você estiver apaixonado, que a pessoa vai odiar. Observe a uniformidade de tratamento. Se começar uma frase com a segunda pessoa, vá com ela até o fim. Se começar uma frase com a terceira pessoa, vá com ela até o fim.

Posso dizer que eu 'te' amo 'você'?

Se alguém declarar o amor dessa forma, estará mentindo. Só os falsos apaixonados fazem esse tipo de declaração. Os verdadeiros apaixonados dizem: eu te amo, eu o/a amo ou eu amo você. Só não diga 'eu lhe amo', porque o lhe é sempre objeto indireto e o verbo amar é transitivo direto.

Posso dizer que confio muito 'em si' ou gosto muito 'de si'?

Não, porque si e consigo são pronomes exclusivamente reflexivos, referem-se ao próprio sujeito.

Os pronomes de tratamento pertencem a que pessoa?

À terceira pessoa; por isso, exigem o verbo e os pronomes com eles relacionados na terceira pessoa, não na segunda.

Quando se usa Vossa Excelência ou Sua Excelência?

Todo pronome de tratamento iniciado por Vossa usa-se quando se dirige à pessoa. Quando se refere à pessoa, substitui-se Vossa por Sua.

É errado usar a gente, essa forma não existe?

Claro que existe, está mais do que certa. Use quando quiser, desde que em substituição a 'nós' ou a 'eu'. Não escreva 'agente', porque será o agente funerário, penitenciário, de saúde, de trânsito, de viagem, secreto ou da passiva, não o pronome. 

A gente vê ou vemos de tudo?

A gente fomos é linguagem de quem fugiu da escola. Use a gente tem ou nós temos. Quem usa o plural, precisa voltar à escola.

Qual o vocativo usado em documentos e comunicações oficiais?

Excelentíssimo, para autoridades tratadas por Vossa Excelência e Ilustríssimo, para autoridades tratadas por Vossa Senhoria.

E no envelope, como se usa?

Se a autoridade for tratada por Vossa Excelência, usa-se 'A Sua Excelência o Senhor' ou 'A Sua Excelência a Senhora'. Se for tratada por Vossa Senhoria, usa-se 'Ao Senhor' ou 'À Senhora'.

Qual é o fecho nas comunicações oficiais?

Para o Presidente da República, do Congresso Nacional, da Câmara dos Deputados e do Supremo Tribunal Federal, usa-se Respeitosamente. Para as demais autoridades, usa-se Atenciosamente.

Doutor é pronome de tratamento ou título acadêmico? Quando se usa

É título. Via de regra, deve ser usado apenas para quem tem doutorado. Por questão cultural e histórica, seu uso se estendeu aos bacharéis em Direito, Medicina e Odontologia.

E o título de Professor?

No Brasil se usa para os docentes de qualquer grau de ensino. Em Portugal se usa apenas para os de ensino primário e superior.

O certo é informamos-lhe ou informamo-lhe?

O pronome lhe não retira o S de nenhuma forma verbal: enviamos-lhes, comunicamos-lhe, solicitamos-lhes, damos-lhe. O S desaparece na 1ª pessoa do plural: queixamo-nos, arrependemo-nos, zangamo-nos, e quando o pronome O se transforma em lo: certificamo-los, comunicamo-las, cientificamo-las, prevenimo-los.

Existe trabalho difícil de 'se' fazer?

Não, o pronome se não se usa depois de adjetivo e infinitivo.

Etimologicamente, as formas comigo, contigo, consigo, conosco e convosco eram um pleonasmo. Acertei?

Acertou. Na passagem do latim para o português, esse sentido pleonástico desapareceu.

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