quarta-feira, 27 de janeiro de 2021

Dúvidas - Vícios de linguagem

 Aluno que não estuda fica 'de' recuperação?

Não, aluno que não estuda fica para recuperação.

Posso dizer que sou 'de' menor ou 'de' maior?

Não, você é maior de idade ou menor de idade ou simplesmente maior ou menor.

Neste ano, o Natal vai cair 'de' sábado. É verdade?

Mentira. Pode cair num domingo, numa segunda-feira, terça-feira, quarta-feira, quinta-feira, sexta-feira, num sábado etc. Não use a preposição de neste caso, mas a preposição em.

'De' domingo não tenho aula. Isso é muito bom?

Péssimo! A quem precisa aprender, não haver aula aos domingos é muito ruim. Quem usa isso precisa de muitas aulas de português também às segundas-feiras, terças-feiras, quartas-feiras, quintas-feiras, sextas-feiras e aos sábados.

Sabe por que não comprei o caderno 'aspiral'? 'Por causa que' estava sem dinheiro. Vou ser castigado por isso?

Não será castigado por não poder comprar o caderno, mas por dizer coisa sem coerência. Onde existe caderno 'aspiral'? Em Marte? Em Júpiter? Na Terra só se compra caderno espiral ou espiralado. Por causa que é linguagem de ET. Aqui só se usa por causa de ou porque. 'Por causo que' é coisa do Pagode da Ofensa, Porta dos Fundos, Parafernalha e Desconfinados.

Causo é apenas um substantivo, que surgiu pela contração das palavras caso e causa.

Por falar em nonsenses, a mulher do médium é a 'média'?

Não, a mulher é tão médium quanto o homem. Média é outra coisa.

O professor 'se' acorda cedo ou tarde?

Não, o verbo não é acordar-se, mas apenas acordar.

Quando acordo, acordo com aquela 'pigarra' irritante.

Pigarra só galinha tem, pessoas tem pigarro. 

Posso ser 'xereto'?

Em hipótese alguma! O que se pode ser é xereta, tanto para o homem quanto para a mulher.

Posso falar 'no' telefone ou 'no' microfone, sentar 'na' mesa ou 'no' computador, dormir 'no' volante?

Não, porque é a preposição a indica proximidade, e não em, que indica interioridade.

Dê um 'chego' até aqui?

Isso não é linguagem de gente. Só atendo quem chega.

Posso dar uma espirrada?

Nunca, convém usar espirro.

Devo fazer meu 'dever' sozinho ou acompanhado?

Dever no singular é obrigação, tarefas escolares são deveres, sempre no plural.

'Que' horas começam as aulas amanhã?

Antes do que interrogativo sempre se usa a preposição a.

Nunca ouvi uma coisa 'dessa'?

Vai ouvir uma frase destas: depois de um substantivo, em frases semelhantes, usa-se destes, desses, daqueles etc.

Sempre compartilhei 'dessa' opinião.

Compartilhe nossa emoção, esse verbo não exige a preposição de.

Se eu não tivesse perdido, teria de ir para a 'Antártida', condenado a 10 anos de trabalhos forçados?

Não, porque essa região não existe no planeta. O que existe é uma região gelada da Terra, no Polo Sul, chamada Antártica. Essa, sim, Deus criou. Antártica vem de Ártico.

Mulher 'dá à luz a' um bebê?

Não, mulher dá à luz, sem ser seguida da preposição a. Neste caso, significa entregar alguém ao mundo.

Daqui 'em' Salvador, São Luís, Manaus ou Belém é longe?

Mega ultra plus advanced super hiper hi tech longe. Com daqui, usa-se a, e não em.

Você é 'que nem' meu pai?

Fale como gente que entende.

O professor me acompanha ovos 'estalados'?

Ovo estalado faz mal, prefira ovos estrelados, vai fazer bem à saúde (também da língua). No sufoco, diga ovos fritos.

Você deu entrada no processo?

Não, só se dá entrada a um processo.

Essa pizzaria entrega a domicílio?

Não, todo lugar entrega em domicílio. 'A domicílio' se usa com verbos que indicam movimento. Sem crase, não existe crase antes de palavra masculina, a menos que esteja subentendida a palavra moda: redação à Guimarães Rosa.

Você entrou de sócio ou joga de goleiro?

Os portugueses entram como sócio e jogam como goleiro. Os brasileiros entram de sócio e jogam de goleiro.

Quem é desinteressado repete de ano?

Não, repete o ano, 'repetir de ano' é construção italiana.

Você entra na Justiça?

Não, entra com ação na Justiça.

É correta a expressão 'ao vivo e a cores'?

Errada. Não existe televisão 'a preto e branco', mas sim 'em preto e branco'. O correto seria 'em cores'.

Por que se usa TV a cabo, e não 'por cabo'?

Popularizou-se essa expressão pela semelhança com 'barco a vela', 'fogão a lenha', 'forno a gás' e 'festa à fantasia'. Não vejo incoerência, porque já está consagrada a expressão 'TV por assinatura'.

A temperatura pode ser quente ou fria?

Frio ou quente só pode estar o tempo. A temperatura pode ser alta ou baixa.

O correto é 'espere um minuto que já vamos servi-lo' ou 'espere um minuto que já vamos servir-lhe'?

A segunda, porque o garçom não serve a pessoa a alguém. Ele vai servir algo à pessoa. 

Um acidente causa vítimas fatais?

Só para nossos jornalistas. Fatal é o que mata: o acidente, o disparo, a queda, o veneno. A pessoa não mata - morre. É vítima, ou morto.

É possível capturar inimigos?

Impossível. Capturar é conquistar, prender ou apreender, captar é obter, recolher, entender ou receber.

O que são pleonasmos viciosos?

São a capacidade que as pessoas têm de repetir ideias com palavras diferentes, mas com mesmo sentido, na fala na escrita. Eis alguns deles: subir para cima, descer para baixo, entrar para dentro, sair para fora, acabamento final, metades iguais, recuar para trás, avançar para frente, seus respectivos, metades iguais, sorriso nos lábios, se caso, mas porém, almirante da Marinha, general do Exército, brigadeiro da Aeronáutica, anexar junto, amanhecer o dia, canja de galinha, consenso geral, conclusão final, coletivo de todos, individual de cada um, destaque excepcional, sintomas indicativos, superávit positivo, déficit negativo, crise caótica, decapitar a cabeça, degenerar para pior, fato real, frequentar constantemente, demente mental, fato real, dois gêmeos, surpresa inesperada, programar primeiro, erário público, surpresa inesperada, completamente vazio, expulsar para fora, importar para dentro, exportar para fora, exultar de alegria, planejar antecipadamente, hemorragia de sangue, hepatite do fígado, infarto do coração, labaredas de fogo, infiltrar-se para dentro, imprensa escrita, empréstimo temporário, monopólio exclusivo, discussão tensa, beco sem saída, templo sagrado, ultimato final, modelo de referência, consultoria especializada, última versão definitiva, vereador da cidade, outra alternativa, certeza absoluta, juntamente com, encarar de frente, protagonista principal, preconceito intolerante, evidência concreta, resultado do laudo, deferir favoravelmente, retornar de novo, repetir de novo, expectativa futura, retrospectiva passada, autocontrolar-se, despesas com gastos, fone de ouvido, dupla de dois, hermeticamente fechado, um mês de mensalidade, si mesmo, vandalismo criminoso e reapresentar de novo.

Prefeitura municipal, comparecer pessoalmente e pessoa humana é pleonasmo vicioso?

Não, porque existem prefeituras nas universidades, existe pessoa física e pessoa jurídica, a pessoa pode comparecer por procuração. Pleonasmo está em 'vereador municipal', porque não existe vereador estadual nem vereador federal. 

É pleonasmo 'número PIN', 'formato PDF' e 'Bicbanco'?

PDF já é sigla de Portable Document Format e PIN, de Personal Identification Number. Se BIC já significa Banco Industrial e Comercial, não há necessidade de usar 'Banco' após a sigla.

Há pleonasmo em sistema ABS?

Pleonasmo do pleonasmo! ABS já é sigla alemã de antiblockiersystem. Já contém a palavra sistema.

Imprensa escrita é pleonasmo?

Sim, porque imprensa se refere a jornal, revista e outros impressos. Quando a linguagem abrange rádio, televisão, cinema, internet e outros meios de comunicação, deve se usar mídia. 

As emissoras de televisão dizem 'logo em seguida', 'gira em torno', 'voltamos após o intervalo', 'vamos informar a hora certa'. Isso é pleonasmo?

Também. Logo e em seguida são sinônimos. Girar ao quadrado é impossível. Se não voltar não é intervalo, é o final do programa. Nenhuma emissora informa a hora errada. 

Existe o verbo inicializar?

Sim, mas é termo restrito à informática. Nos outros casos, use iniciar.

É correto dizer 'eu confirmo minha aderência a esta ideia'?

Não. Tanto adesão quanto aderência derivam de aderir, mas o primeiro se usa para pessoas e o segundo para coisas e substâncias.

É correto dizer 'a alegria é contagiosa' e 'a doença é contagiante'?

Não. Tanto contagioso quanto contagiante derivam de contágio, mas o primeiro se usa para doenças e o outro para sentimentos e valores.

É correto dizer 'meu batizado', ou o certo seria 'meu batismo'?

Tanto faz, batizado pode ser adjetivo (pessoa que recebeu o batismo), verbo (particípio de batizar) ou substantivo (cerimônia ou festa do batismo), batismo só pode ser substantivo.

Existe 'superávite'?

Se o VOLP registra défice como aportuguesamento de deficit, deve registrar superávite para superavit e hábita para habitat.

Existe 'massivo'?

Via de regra, não deveria existir. É uma adaptação do inglês massive, que em português se diz maciço. O VOLP houve por bem registrá-la.

Existe primeiramente?

O VOLP registra, mas não deveria existir, porque não existem segundamente, terceiramente, etcmente etc., e primeiro é um numeral e não forma advérbio de modo. 

Existem crianças de 0 a 6 anos?

Não, só existem crianças de até 6 anos. Zero ano não existe, ano se completa a partir de 365 dias.

Posso dar uma 'pesquisada' ou uma 'revisada'?

Evite, prefira dizer 'vou pesquisar' e 'vou revisar'. Ou então 'vou fazer uma pesquisa' ou 'vou fazer uma revisão'.

Existe 'impassividade'?

Não, a qualidade de quem é impassível (insensível à dor e ao sofrimento) é impassibilidade.

Posso 'reverter' o quadro?

Não. Em bom português, reverter é voltar ao que era antes. Se não houver a ideia de retorno, substitua o verbo: mudar o quadro, inverter o placar.

Posso correr atrás do 'prejuízo'?

Só derrotados fazem isso, vencedores compensam o prejuízo.

E reaver o prejuízo?

É uma incoerência. Na verdade, a pessoa quer ser indenizada pelo prejuízo.

Posso 'realizar' missa, curso, exposição, show?

Não, o verbo realizar significa tornar real. Em vez de 'realizar' curso ou oficina, use promover - se for instituição ou ministrar - se for professor, 'realizar' show, estrear, 'realizar' exposição, abrir, apresentar, inaugurar, 'realizar' missa, batizado, casamento, celebrar.

Israelense = israelita e paulista = paulistano?

Não. Israelense é o natural ou habitante de Israel; relativo ao Estado de Israel e israelita se refere à religião judaica ou ao povo de Israel no sentido bíblico.

Paulista é o natural do Estado de São Paulo, aplica-se àquilo que é relativo ao Estado e paulistano é o natural da cidade de São Paulo; aplica-se àquilo que é relativo à cidade.

Existe 'cuspido e escarrado'?

É a expressão popular, mas a correta é esculpido e encarnado. O povo mudou a expressão, porque não entendia de escultura nem de encarnação.

É correto 'minha' férias?

Não, porque esse substantivo só se usa no plural: férias escolares, remuneradas, coletivas etc.

Juiz = árbitro?

Não, juiz é magistrado que julga em tribunais e fóruns, que tem curso superior, e árbitro é mediador de jogos esportivos.

O certo é 'ave-maria' ou 'ave, Maria'?

A primeira é a oração, e a segunda é uma locução interjetiva, usada em situações de surpresa, espanto, susto ou indignação.

Existe 'normatização'?

Sim, mas prefira usar normalização, embora exista o adjetivo normativo.

Posso dizer que é uma boa 'esticada'?

Não, uma caminhada longa é uma estirada.

O certo é Antigo ou Velho Testamento?

A primeira, porque a segunda transmite a ideia de que o livro está ultrapassado ou defasado.

Posso dizer que moro em 'S.' Paulo?

Não, porque nomes geográficos se escrevem por extenso. Só as siglas dos estados da Federação se abreviam.

Existem os verbos 'inocorrer', 'inaplicar', 'impagar', e 'improver', muito usados por nossos adevogados?

Não, mas existem impagável e inaplicável. O prefixo in se liga a adjetivos (infeliz), advérbios (infelizmente) e substantivos (infelicidade), nunca a verbos, com algumas exceções, como imortalizar, impossibilitar e impermeabilizar. Em vez de 'inacolher', os advogados usam desacolher. Existem desprover e desprovimento, mas não improver nem improvimento. Improvido existe.

Existe a expressão 'no que pertine'?

Só para os adevogados. Do latim pertinere, surgiram no português o verbo pertencer, o adjetivo pertinente e o substantivo pertinência. Não existe o verbo pertinir. Os advogados usam: no que concerne a.

A palavra presidente deriva do verbo presidir; crente, de crer; doente, de doer; ouvinte, de ouvir; agente, de agir; atuante, de atuar; seguinte, de seguir; temente, de temer; consistente, de consistir; existente, de existir; falante, de falar; dependente, de depender; diferente, de diferir. Concernente vem de concernir.

Por que Aparecida é 'do Norte'?

O nome oficial da cidade onde se situa a maior basílica do Brasil, dedicada à padroeira do nosso país, Nossa Senhora Aparecida, chama-se apenas Aparecida. Esse complemento ao nome da cidade se explica pela construção da Estrada de Ferro do Norte.

É correto usar a 'aparição' do papa no terraço da basílica?

Não, porque existe diferença entre aparição e aparecimento. A primeira se usa com fenômenos e seres sobrenaturais e a segunda, nos demais casos.

É correto usar plantel em referência a jogadores de futebol?

Sim, embora alguns manuais de redação digam que não.

Posso dizer 'cheguei atrasado em função do trânsito'?

Não, a expressão em função de só deve ser usada quando houver ideia de finalidade ou dependência. Para a ideia de causa, usa-se por causa de, em razão de, devido a, em virtude de.

Posso dizer 'graças a você, perdi o horário'?

Não, graças a é uma expressão de sentido positivo. Em frases negativas, só pode ser usado como ironia.

Posso abreviar apartamento como apto?

Não, a abreviatura de apartamento é ap. Apto é apenas adjetivo.

Posso dizer 'brasileiros e brasileiras'?

Não, quando se diz brasileiros já engloba mulheres. 

Posso dizer que minha pele está descascando?

Não, pessoas têm pele, cebola, laranja, batata etc. têm casca. Você se despela, comidas se descascam.

Posso dizer que 'terminei' de ler o livro?

Não, porque o verbo terminar só se usa antes de substantivo. Acabar pode ser usado antes de infinitivo ou substantivo.

Posso dizer 'após acabar de almoçar, escove os dentes'?

Não, porque após só se usa antes de substantivo. Depois pode ser usada antes de infinitivo ou substantivo.

Posso acenar a mão?

Não, o verbo acenar se usa com a preposição com.

Posso ter 'ameaça' de infartar?

Antes não podia, mas agora pode, porque ameaça só se usava quando estivesse associado à intimidação, punição ou agressão. Nossos dicionários já registram ameaça como sinônimo de 'indício de acontecimento desagradável'.

Se você é rico e não gasta, 'que dirá eu'?

Não, a expressão correta é que se dirá de mim.

A doença está em 'estágio' terminal?

Antes não podia, mas agora pode, porque estágio e estádio são sinônimos no sentido de etapa, fase. No sentido de período de aprendizagem e preparação, usa-se apenas estágio. No sentido de espaço para competições esportivas, usa-se apenas estádio.

Os deputados e senadores 'legisferam'?

Não, o verbo é legiferar, a forma 'legisferar' surgiu por influência de legislar, legislação e legislativo.

A vítima 'veio' a óbito?

Não, ela foi a óbito. Se quiser usar o verbo vir, diga que a vítima veio a falecer.

Posso dizer que o jogador 'medrou' diante da derrota?

Não, medrar significa crescer, progredir, desenvolver, prosperar. Não tem a ver com medroso, não significa tremer ou ter medo.

Quando uma coisa é estranha, é 'estrambólica'?

Não, o que é estranho é estrambótico, 'estrambólico' surgiu por influência de hiperbólico e simbólico.

Posso dizer que levei uma 'mordida' de pernilongo?

Não, só morde quem tem dentes, quem não tem pica.

Existe São Vicente de 'Paula'?

Não existe esse santo. O que os católicos conhecem é São Vicente de Paulo, que não se confunde com São Francisco de Paula. Não devemos confundir: dizemos São Francisco de Paula (com a) por ter nascido em Paola, cidade italiana da Calábria. São Vicente de Paulo (com o) nasceu na França. Paulo é nome da família de origem (De Paul), e não designativo de lugar como Santo Antônio de Pádua, São Francisco de Assis e assim substantivamente.

O instrutor militar diz 'acelerado' ou 'celerado'?

Acelerado, porque celerado é bandido.

A loja comemorou 'bodas' de fundação?

Não, porque bodas só se usa para aniversário de casamento e jubileu, para empresas e instituições.

E quanto à palavra 'desencarne', usada pelos espíritas?

Não existe, embora exista a palavra 'encarne'. Se dizemos encarnação, também dizemos desencarnação. 

Existem 'evidências' ou 'provas'?

Em bom português, evidência significa a qualidade daquilo que não deixa dúvida, e prova é a demonstração de que algo é verdadeiro. Esse uso de evidência como sinônimo de prova é uma tradução indevida do inglês evidence, e das legendas dos filmes policiais. O mesmo ocorre com a palavra portuguesa êxito que significa sucesso, e a palavra inglesa exit que significa saída. Em inglês êxito se diz success.

Muitos acham que luxúria tem a ver com dinheiro. Está errado?

Luxúria significa tendência excessiva ao desejo sexual. Não confunda com luxo, que significa ostentação. Esse uso é uma tradução indevida do inglês luxury, que é confundida com lust. 

Na linguagem médica, usa-se o sufixo 'lógico' como mera desinência de adjetivação sem que se refira a estudo. Eles acertam ou erram? 

Erram, porque a maioria dos substantivos terminados em logia se referem a estudos - pneumologia, dermatologia, urologia, endocrinologia.

Posso dizer que me atrasei 'por conta do' trânsito?

Não, em bom português a expressão 'por conta de' significa algo que está sob a responsabilidade de alguém, custeado ou financiado por alguém. Se houver a ideia de causa, use por causa de, devido a, em virtude de ou em razão de.

Na TV o repórter e o jornalista dizem que alguém morreu eletrocutado para se referir a acidentes com eletricidade. Eles acertam ou erram?

Erram, porque eletrocussão é quando a pessoa é executada por um choque elétrico e recebe uma descarga elétrica de forma intencional, por exemplo, pela cadeira elétrica que era usada em alguns países na aplicação de pena de morte. No caso de acidentes, que é o mais comum, o correto é eletroplessão. Ou seja, se alguém mexe na tomada é eletroplessado. 

Marido que vive à custa da mulher é parasito ou parasita?

Até 2000, parasito era usada para pessoas e animais e parasita era usada apenas para plantas. Desde 2000, usa-se parasita em todos os sentidos.

Na minha cidade faz 36 graus centígrados ou Celsius?

Até 1948 se usava centígrados. Desde 1949, usa-se Celsius.

Explicar = justificar?

Não. Explicar significa tornar compreensível e justificar, demonstrar.

Greve = lockout e falência = insolvência?

Falência só se usa para empresas. Para pessoas físicas, usa-se insolvência. Quem faz greve é empregado, patrão faz lockout.

A expressão 'uso abusivo' é correta?

Não, é o pleonasmo do pleonasmo. O correto é uso excessivo, indiscriminado ou exagerado. 

Migrar = emigrar = imigrar?

Não. Migrar é deslocar-se, emigrar é sair do país e imigrar, entrar no país. Mesmo raciocínio para migração, emigração e migração, migrante, emigrante e imigrante.

Existem os verbos obstaculizar e precificar?

Sim. O substantivo correspondente a precificar é precificação. Obstaculizar é usado apenas no Brasil, os portugueses usam obstar.

Existe jogo de pimbolim e biboquê?

Não, o jogo é pebolim e o brinquedo é bilboquê.

Por que usamos sudeste e não suleste, se existe a combinação de sul + este?

Assim como em sudeste, houve influência do espanhol sud.

Existe a palavra lancheteria?

Oficialmente não. Existe lancheria, usada pelos gaúchos, enquanto o restante do Brasil usa lanchonete. Essa palavra surgiu pela semelhança com cafeteria.

Judeu = judaico? Hebreu = hebraico?

Não. Judeu e hebreu se usam para pessoas, judaico e hebraico para coisas.

Valorizar = valorar?

Não, valorar é determinar o valor ou preço e valorizar é dar valor a alguma coisa.

Inenarrável = inarrável?

Até 1999 não, mas desde o ano de 2000 são consideradas sinônimas, com preferência pela primeira.

Vendível = vendável?

Não, vendível é o que está à venda e vendável é o que pode ser vendido facilmente.

Tempestivo e intempestivo têm a ver com o quê?

Têm a ver com tempo. A primeira significa no tempo certo, e a segunda é fora do momento oportuno. Há quem confunda com tempestuoso, que tem a ver com tempestade e, em sentido figurado se usa como sinônimo de turbulento, violento. Temos novamente um caso de falso cognato, como acontece com a palavra inglesa notice, que significa aviso. Os aprendizes de inglês tendem a confundir com notícia, que é news. Assim também acontece com a palavra inglesa parents, que significa (pai e mãe). Ela costuma ser confundida com parentes (irmãos, primos, tios etc.), que é relatives.

Já vi repórteres e jornalistas dizendo que o motorista perdeu a direção do carro. Isso está correto?

Errado, porque perder a direção é perder o rumo, não saber ao certo onde a pessoa está. O que costuma acontecer é o motorista, por mais inábil que seja, perder o controle do carro, ônibus, caminhão, trem etc.

É correto dizer que até os jornalistas não puderam comparecer ao evento?

Não, usa-se até quando houver a ideia de inclusão, por exemplo: 'Até o médico lá esteve'. Se houver a ideia de exclusão, usa-se nem, por exemplo: 'Nem o médico lá esteve'.

Os jornalistas esportivos usam assistência para qualquer passe. Está correto?

Errado, porque assistência só pode ser usado para passes que levam a um gol. 

O correto é surdo ou deficiente auditivo?

Depende do grau da perda auditiva. As pessoas que têm perda profunda e não escutam nada são surdas. As que têm perda leve ou moderada, e que têm parte da audição, são consideradas deficientes auditivas.

Por que a missa se chama missa?

Porque a palavra vem do verbo latino mittere, que deu origem às palavras míssil e demissão. No rito antigo, o culto era dividido em duas partes: a primeira, composta por orações, cantos e uma reflexão, era aberta a todos; a segunda era reservada aos cristãos batizados. Por isso se dizia ao final da primeira parte a expressão 'Ite, missa est'. Por extensão, a palavra missa passou a dar nome à celebração como um todo. 

Dúvidas - Período composto

 Qual a diferença entre as orações subordinadas adverbiais causais e as orações coordenadas explicativas, visto que ambas podem ser iniciadas por que e porque?

Às vezes é difícil estabelecer essa diferença, mas - como o próprio nome indica - as causais trazem sempre a causa de um fato que se revela na oração principal, que traz a consequência. Essa noção não existe no período composto por coordenação. Em 'A criança estava doente, porque estava chorando', a oração iniciada pela conjunção traz apenas a explicação do que se revelou na oração anterior: o choro da criança não é a causa da doença. Em 'Luís está triste porque perdeu seu emprego', está evidente que a oração iniciada pela conjunção é causal, uma vez que, sem dúvida, a perda do emprego é a causa da tristeza de Luís.

Em 'Agiu como se tudo estivesse resolvido', existem duas ou três orações?

Apenas duas. Para efeito de análise, 'como se' é uma locução conjuntiva comparativa. Portanto, a oração iniciada por essa expressão é apenas comparativa. Antigamente se exigia esse desdobramento: Agiu como agiria se tudo estivesse resolvido.

Esta oração é chamada de comparativa hipotética.

Como se classificam as orações iniciadas por 'sem que'?

Tanto entre as concessivas e as condicionais. As modais existem, porém apenas como reduzidas, porque não existem conjunções modais.

Por que não se deve tomar parataxe como sinônimo de coordenação?

Esse termo pode ser tanto uma relação de coordenação tanto de subordinação, quando as orações se relacionam por justaposição, não por conectivos. 

Hipotaxe é sinônimo de subordinação?

Sim.

Qual a diferença entre as orações adjetivas restritivas e explicativas?

As restritivas restringem, delimitam, particularizam o sentido do substantivo ou pronome antecedente na oração principal, enquanto as explicativas generalizam, universalizam seu sentido. As restritivas são indispensáveis para a compreensão, enquanto as explicativas podem ser retiradas da frase sem nenhum prejuízo ao sentido. As explicativas vêm separadas por vírgula, travessão ou parênteses, enquanto as restritivas não vêm separadas por pontuação.

A preposição é facultativa nas orações subordinadas substantivas objetivas indiretas?

Sim.

E nas completivas nominais?

Também.

Posso retirar a conjunção integrante nas orações subordinadas apositivas?

Sem sombra de dúvida! 

Existe um vício de linguagem que consiste no uso da preposição de sem que um termo a exija?

Sim, chama-se dequeísmo.

Existe oração que possa substituir o agente da passiva?

Sim. Ela é iniciada por de ou por + pronome indefinido, e é sempre justaposta.

Existem outras orações subordinadas adverbiais?

Sim, a modal (expressa o modo relacionado à oração principal) e a locativa (expressa ideia de lugar).

Uma oração coordenada aditiva pode vir reduzida de gerúndio?

Sim. Exemplo: O balão subiu muito, desaparecendo no céu.

Dúvidas - Termos essenciais da oração

 Para encontrar o sujeito, deve-se fazer a pergunta 'o quê?' sempre?

Se for para coisa. Para pessoa, pergunte 'quem'.

Se for verbo de ação, como faço a pergunta? E se for verbo de ligação?

'O que / quem pratica a ação' se for voz ativa, e 'O que / quem sofre a ação' se for voz passiva, 'O que / quem tem a qualidade' se for verbo de ligação.

O sujeito não pode ser oculto, como se vê em muitos sites de internet?

Não, porque oculto significa que está escondido. Quando se constrói 'Falamos a verdade' o sujeito está evidente, através da desinência verbal. O sujeito se diz desinencial ou implícito na desinência verbal.

E o sujeito elíptico, que se vê nas gramáticas?

Isto non ecziste! O sujeito estará sempre implícito na desinência verbal. Quando a desinência for zero, o contexto indicará o sujeito, se for eu ou ele.

Quando o sujeito for um pronome indefinido, é indeterminado?

Não, porque sujeito indeterminado nunca apresenta elemento na oração. Sujeito representado por pronome indefinido sempre será simples, porque ele existe. A indeterminação é apenas semântica.

Existe o sujeito inexistente, que se vê nos manuais de redação?

Não, porque não se pode chamar de sujeito aquilo que não existe. Neste caso, quando a oração não possui sujeito, mas apenas o predicado, chama-se sujeito zero ou oração sem sujeito.

Nas orações com imperativo, como se classifica o sujeito?

O sujeito geralmente é desinencial. Com os verbos bastar e chegar, seguidos da preposição de, a oração não apresenta sujeito.

Quando se diz 'Choveram ofensas na exposição', a oração não tem sujeito?

Tem sujeito. O verbo não está sendo usado em sentido literal, mas em sentido figurado. Se o sujeito estiver no plural, o verbo deve variar normalmente. Qualquer verbo impessoal, usado em sentido conotativo, deixa de ser impessoal para ser pessoal.

Quando digo 'Ele faz trabalho comunitário', o sujeito é inexistente?

Não, quem é impessoal é o verbo fazer no sentido de tempo decorrido: 'Faz dois meses que me formei'. No exemplo acima, o verbo é pessoal e tem sujeito. O sentido de que ele faz treze anos é de que ele está aniversariando.

Dúvidas - Transitividade verbal

 Em 'Fui ao médico', o verbo ir é transitivo indireto?

Não, é intransitivo. Há certos verbos intransitivos que exigem um adjunto adverbial de lugar, sem o qual quase não se usam: ir, chegar, voltar, levar, sair, subir, retornar, comparecer, partir, morar, etc. Contudo, são facilmente identificáveis. 

Por que alguns verbos transitivos indiretos permitem a substituição de seu complemento por lhe, e outros não?

Porque somente os transitivos indiretos que se usam com a preposição a aceitam o lhe; os que exigem outras preposições só podem ter complemento um substantivo ou um pronome pessoal tônico.

São só os verbos transitivos, intransitivos e de ligação que podem ser encontrados em uma oração?

São os principais tipos de verbos quanto à transitividade. Ainda existem os verbos transobjetivos, nome que se dá aos verbos transitivos diretos (eventualmente transitivos indiretos ou pronominais) que exigem, além do complemento, um predicativo.

Que características do sujeito os verbos de ligação podem expressar?

Podem apresentar estado permanente, estado transitório, mudança de estado, continuidade de estado e estado aparente.

Existe uma classificação do verbo quanto à presença ou ausência de sujeito ou complemento?

Sim, chama-se valência. Verbos de valência zero não possuem sujeito (impessoais) ou não possuem complemento (de ligação), de valência um não possuem complemento (intransitivos), de valência dois são verbos com um sujeito e um complemento (transitivos diretos e transitivos indiretos), de valência três são verbos com dois complementos (transitivos diretos e indiretos).

Alguns chamam os verbos de valência zero de avalentes, os de valência um de unários ou monovalentes, os de valência dois de binários ou bivalentes, os de valência três de ternários ou trivalentes.

Existem verbos que precisam de adjunto adverbial?

Sim, chamam-se transitivos circunstanciais. 

Por que nem todo termo introduzido por preposição pode ser substituído por lhe?

Rigorosamente os termos que representam a pessoa ou coisa à qual se destina a ação podem ser substituídos por lhe e lhes, os que representam o ser sobre o qual recai a ação são substituídos pelas formas a ele(s) e a ela(s), precedidas de preposição, mas como não há um nome específico, também se chamam objetos indiretos.

Posso dizer que os esforços do governo 'resultaram' inúteis?

Não, porque resultar não é verbo de ligação. Substitua-se por: os esforços do governo foram inúteis / os esforços do governo não deram resultado. Esse uso é influência do espanhol.

Posso dizer que o evento 'segue' tranquilo?

Não, porque o verbo seguir não é de ligação, não deve vir acompanhado de predicativo. Corrija-se para: o evento continua tranquilo. Seguir é sinônimo de continuar quando significa dar continuidade, mas esse verbo pode ser usado em outras situações: seguimos os passos de alguém (no sentido de andar no mesmo ritmo), o exemplo (no sentido de imitar), uma carreira (no sentido de ingressar numa profissão), uma religião (no sentido de aderir) e as leis de trânsito (no sentido de respeitar).

Dúvidas - Frase, oração e período

 Como se chama o tipo de frase que não traz verbo nem locução verbal?

A frase que não traz verbo se chama nominal. A frase que traz verbo ou locução verbal se chama verbal.

Qual o tipo de frase mais expressivo?

A nominal, por ser direta, incisiva e curta, representa um grande recurso estilístico. É usada para descrever cenas ou fatos sem movimento. A linguagem publicitária usa e abusa delas.

Como se chama a frase optativa que expressa um mau desejo?

Chama-se imprecativa. Imprecação significa insulto.

A frase optativa também pode ser exclamativa?

Sim.

Uma frase interrogativa indireta é considerada interrogativa?

Sim. 

Dúvidas - Conjunção

 Se e e nem são, ambas, conjunções coordenativas, então, usá-las juntas é oferenda?

Exatamente. É desnecessário usar duas conjunções ligando orações. Nem já significa e não. Não existe 'e nem'. Enem existe, mas é uma sigla.

Muitos, em vez de no entanto, usam no entretanto?

Não. No entretanto é locução adverbial, que significa entrementes, nesse ínterim, nesse meio tempo ou enquanto isso. Como conjunção adversativa, usa-se no entanto, ou apenas entretanto. A palavra é proparoxítona (ínterim) e não oxítona (interim), que é como os mineiros pronunciam inteirinho.

No entanto é igual a tanto?

Não, ambas têm sentidos diferentes. No entanto indica oposição e tanto, grande quantidade ou quantidade incerta.

Em uma frase, pode-se misturar conjunções alternativas?

Só para os deputados. Se escolher quer ou seja, é obrigado a repeti-las. Somente a conjunção ou pode vir sozinha.

Nas orações comparativas, pode-se usar que ou do que?

Tanto faz como tanto fez.

Pode-se usar 'apesar que'?

Não, a locução conjuntiva é apesar de que.

'Se caso' você vier é correto?

Só para os humoristas. Se e caso são duas conjunções condicionais, dizer 'se caso' é o mesmo que dizer 'se se'. Se acaso é correto, pois acaso é um advérbio que significa 'eventualmente'.

Outro dia eu ouvi: vou ao cinema, 'a menos que não' chova. Isso está correto?

Só se você inventar novas regras para a gramática. A menos que já expressa a ideia de negação, é desnecessário usar o não. Trata-se de um pleonasmo vicioso.

Certa vez disseram: tirem o dinheiro, 'antes de que' você se arrependa. Isso está correto?

Só para Luccas Neto ou Felipe Neto. A locução conjuntiva é antes que ou depois que, e não 'antes de que' nem 'depois de que'. As locuções prepositivas são antes de e depois de, que se usam depois de substantivos, pronomes ou formas nominais.

É correto e obrigatório o uso da preposição de na expressão 'apesar de que'.

Na propaganda, diz: um professor faz tudo 'à medida em que' ensina. Isso é bom?

Péssimo! Quem usa isso em vez de à medida que, não tece críticas a ninguém. Existe a medida que, em que o 'que' é pronome relativo e não forma locução conjuntiva.

Escrevo 'porisso' ou por isso?

Sempre separado: por isso. 

'De formas que', 'de modos que', 'de maneiras que' e 'de sortes que' existem?

Não. As locuções são invariáveis: de forma que, de modo que, de maneira que, de sorte que.

'Mas porém' está correto?

Absurdamente errado. Ou use mas ou porém, nunca os dois juntos. É o mesmo que dizer 'mas mas'.

No entretanto existe?

Apenas como locução adverbial, sinônima de nesse meio tempo, nesse ínterim, enquanto isso e entrementes. Como conjunção é uma mistura de no entanto com entretanto.

Eis que existe?

Apenas com sentido de 'de repente', para expressar surpresa ou imprevisto. É sinônima de 'eis senão quando'. É uma conjunção temporal, e não causal.

E a expressão eis que, que muitos advogados usam como sinônima de 'porque' Existe?

Só para os adevogados. Os advogados usam porque, visto que, já que ou uma vez que.

Posto que é concessiva e não causal nem explicativa, deve ser usada apenas com sentido de embora, ainda que, apesar de, conquanto?

Certo. Esse uso de 'posto que' como sinônimo de porque é influência do espanhol.

É correto usar 'embora sendo'?

A conjunção embora se usa com verbo no subjuntivo. O gerúndio se usa com mesmo.

sábado, 23 de janeiro de 2021

Dúvidas - Preposição

Afinal, a TV é a ou em cores?

Sem dúvida, em cores. Quem prefere ver tudo colorido, usa filme, foto ou revista sempre em cores.

Devo pedir um copo de ou com água?

Depende: se estiver com muita sede, peça um copo de água; se estiver precisando apenas tomar um comprimido, peça um copo com água. Muitos pensam que copo de água não existe, porque copo não se faz de água, mas de vidro, de cristal, de plástico etc. São pessoas que, naturalmente, desconhecem a figura de linguagem chamada metonímia.

Afinal, eu nasci a ou em 18 de dezembro?

Tanto faz: antes de datas pode-se usar a ou em.

Quando devo usar em vez de ou ao invés de?

São expressões opostas. Ao invés de se usa por ao contrário de e indica oposição de ideias. Em vez de se usa por em lugar de e indica mera substituição.

É verdade que está chovendo 'desde de' manhã?

Falso. Não existe 'desde de', mas apenas desde.

Posso vir 'de' lá de cima?

Não, porque não se usam duas preposições na mesma frase.

Posso dizer 'de' hipótese nenhuma?

Não, só existe em hipótese nenhuma.

Afinal, eu namoro à ou de noite?

Todo namorado bem comportado pode fazer qualquer coisa, porque tanto pode se dizer à noite ou de noite, à tarde ou de tarde, de manhã ou pela manhã. Mas só namore de madrugada, e não 'pela' madrugada, é perigoso.

No Nordeste se ouve muito 'para' o ano. Isso existe?

Existe. A preposição para indica tempo, além de outras relações.

Devo usar percentagem ou porcentagem?

Tanto faz. Em percentagem existe a preposição per, usada em percentual e nas locuções de per si e de permeio, na expressão latina per capita e na contração pelo (e variações).

Quando devo usar ao encontro de e de encontro a?

São expressões parecidas na forma, mas diferentes no sentido. Ao encontro de se usa para situação favorável, conformidade ou harmonia. De encontro a se usa para contrariedade, oposição, choque.

E a expressão em que pese a?

Trata-se de uma locução prepositiva. É sempre invariável e não deve ser usada sem a preposição final, porque, com exceção de 'não obstante', toda locução prepositiva termina em preposição. Na expressão em que pese, 'pese' é verbo e deve variar. Nesse caso, em que pese é uma conjunção concessiva. Nos dois casos, há uma referência ao ato de contrição ensinado nas aulas de catequese.

Quais as preposições correlatas de ENTRE, DE e DESDE?

São as combinações ENTRE... E, DE... A e DESDE... ATÉ.

Posso dizer que estou ao par de tudo?

Se você está bem informado, você está a par de tudo.

Ao par existe?

Existe, mas só se usa para indicar equivalência entre valores financeiros e operações cambiais.

Até a e para com são locuções prepositivas?

Sim, que se formam excepcionalmente de duas preposições.

Se você disser que a novela é 'Éramos em Seis', vai errar?

Vai, porque não se usa em português a preposição em entre os verbos ser ou estar e um numeral. Isso é imitação de construção italiana. A verdadeira novela é Éramos Seis.

Dentre é preposição?

É contração de duas preposições: de e entre, significa do meio de. Usa-se com verbos que regem a preposição de.

Posso dizer que ele está 'para' Salvador?

Não, o verbo estar - na indicação de lugar - rege apenas a preposição em. Só se usa a preposição para na indicação de fato iminente e no cálculo de proporções.

É correto usar a expressão devido a?

Sim. O errado é usar 'devido' sem preposição.

Existe diferença entre a ponto de e ao ponto de?

Sim. A primeira significa prestes a e a segunda se usa apenas quando ponto é substantivo.

E quanto à expressão frente a?

É invenção do povo. Em bom português, o correto é diante de ou perante.

E face a?

Outra invenção. Em bom português, o correto é em virtude de ou em razão de. 

Existe policial a paisano?

Não. A expressão é à paisana (militar em traje civil) e o adjetivo é paisano (que não é militar).

A frase 'Ele confia em todos, exceto os pais' está correta?

Sim, com a palavra exceto pode se usar ou não a preposição exigida pelo termo. Porém, se usarmos menos no lugar de exceto, a preposição será obrigatória. 

Dúvidas - Advérbio

 Posso ir 'de a pé'?

Não, porque não se usam duas preposições na mesma frase. Procure ir a pé, é mais saudável. 

Afinal, bem e mal são advérbios ou prefixos?

Serão advérbios quando modificarem verbo, adjetivo ou advérbio. Serão prefixos quando forem elementos de simples palavras.

Em alto-falante, alto é advérbio?

Sim. Muitos usam auto-falante, pensando se tratar de um objeto que fala sozinho ou que se usa em automóveis. 

Quando uso mal e mau?

Mal é advérbio e antônimo de bem; mau é adjetivo e antônimo de bom. Mal e bem são também substantivos; mal pode ser uma conjunção.

Posso usar dois advérbios juntos: já, já ou logo, logo?

Pode. Neste caso, a repetição do advérbio tem valor superlativo.

Nunca e jamais são advérbios de quê?

Embora sejam palavras negativas, são advérbios de tempo.

É correto dizer que um projeto é 'melhor' elaborado ou que uma casa é 'pior' construída?

Antes de particípios, usam-se as formas analíticas mais bem e mais mal, e, nos demais casos, usam-se as formas sintéticas melhor e pior.

É correto dizer que o Brasil está crescendo economicamente, politicamente e tecnologicamente?

Quando há dois ou mais advérbios terminados em mente, usa-se o sufixo apenas no último. Somente em caso de ênfase se repete a terminação.

Quanto e para que também podem ser advérbios interrogativos?

Sim, quanto pode ser advérbio interrogativo de preço e intensidade; para que, de finalidade.

Se eu coloquei a blusa no avesso, acerto?

Erra. Só existem as locuções do avesso e pelo avesso.

Alguém pode sair de fininha?

Não, deve evitar. A locução adverbial é de fininho.

Como não confundo demais com de mais ou ademais?

Demais pode ser advérbio de intensidade (muito) ou pronome indefinido (os outros). De mais pode significar a mais ou estranho, anormal. Ademais significa além disso.

É verdade que a expressão grosso modo não deve começar com a preposição a?

Verdade.

Palavras e expressões que indicam adição, afastamento, afetividade, aproximação, exclusão, explicação, inclusão, limitação, realce, retificação e situação são advérbios?

Não, porque não modificam verbos, adjetivos, advérbios ou orações. Chamam-se palavras denotativas, apesar de uma semelhança com os advérbios.

Absolutamente é sempre negativo?

Não, como advérbio de intensidade, pode intensificar tanto o bom quanto o ruim - do absolutamente irresistível ao absolutamente insuportável.

E como resposta?

Nosso absolutamente usado como resposta é negativo, enquanto o absolutely do inglês é positivo. À pergunta 'Você gosta disso?', se um brasileiro responder absolutamente está dizendo que não, mas se um inglês responder absolutely está dizendo que sim.

Dúvidas - Pronome (5)

 Quando devo usar o pronome relativo que?

Em referência a coisas ou a pessoas. Pode haver preposição, se o verbo ou nome a exigir, e pode ter como antecedente o demonstrativo o (e variações).

E o pronome relativo quem?

Só em referência a pessoas ou a coisas personificadas e sempre depois de preposição.

Na frase 'quem tudo quer tudo perde', como se classifica o pronome relativo quem?

Quando o pronome relativo aparece sem antecedente, é classificado como pronome relativo indefinido.

Quando se usa o pronome relativo o qual?

O qual (e variações) se usa, principalmente, para evitar duplo sentido, quando o antecedente se encontra distante, com preposições de mais de uma sílaba e locuções prepositivas, pronomes indefinidos, numerais e expressões superlativas.

Fora esses três casos, usa-se o qual?

Não, também com as preposições monossilábicas sem e sob. Fora esses casos, usa-se que ou quem.

É verdade que o pronome relativo quanto tem como antecedente os indefinidos tudo, tanto (e variações), todo (e variações)?

Sim.

Quando devo usar o pronome relativo onde?

Só em referência a lugar físico (ainda que virtual ou figurado). Se o termo antecedente for uma situação, usa-se em que ou no qual (e variações).

E o pronome relativo como?

Quando o antecedente for as palavras modo, maneira, forma ou jeito.

E o pronome relativo quando?

Quando o antecedente for algum termo indicativo de tempo.

E o pronome relativo cujo?

Sempre expressa ideia de posse e se refere a um termo antecedente, que é o possuidor, e a um consequente, que é a coisa possuída, com o qual concorda em gênero e número. Se a ordem dos termos for invertida, equivale à preposição de. Pode haver preposição, se o verbo ou nome a exigir. Não deve aparecer artigo antes do pronome, porque ele mesmo já sofre as flexões. Os artigos devem ser unidos ao pronome.

Dúvidas - Pronome (4)

 Às vezes, ouço pessoas perguntando: que que eu tenho a ver com isso, usando dois quês juntos. Isso está certo?

Está. O segundo que se usa como palavra de realce, para dar vigor à comunicação. Na verdade, existe a locução de realce é que, reduzida apenas para que. 

Em 'o que são hiperônimos', está correto?

Também. 'O que' é uma forma enfática de que. 

Veja se é correta minha conclusão: quando uso o pronome interrogativo no começo da frase, tenho uma interrogativa direta; quando o uso no meio da frase, tenho uma interrogativa indireta. Estou certo?

Está absolutamente certo. Só as interrogativas diretas exigem o ponto de interrogação; as indiretas começam com ponto final. A interrogativa direta começa com palavra interrogativa, enquanto a indireta começa com verbos próprios para interrogar.

E o pronome quem? Como fica o verbo?

Normalmente ele leva o verbo para o singular. Contudo, em orações com o verbo ser, pode servir de predicativo a um sujeito no plural. 

Dúvidas - Pronome (3)

 É verdade que o pronome indefinido algum pode ter sentido negativo?

Verdade. Sempre que este pronome estiver depois do substantivo, confere a este sentido negativo e valor de nenhum. 

É verdade que algum pode significar dinheiro?

Acertei mais essa. Neste caso, algum deixa de ser pronome e torna-se um substantivo.

Posso comprar uvas por 2 reais cada?

Não, você vai pagar muito caro por isso. Prefira comprar por 2 reais cada um ou cada qual, que lhe será mais barato. O pronome cada não se usa isolado, porque não é pronome substantivo, mas sim pronome adjetivo. Na ausência do substantivo, usa-se cada um ou cada qual.

É verdade que o pronome qualquer é a única palavra da língua portuguesa que faz o plural em seu interior, e não no fim: quaisquer?

Mais que verdade. Esse pronome deve ser usado apenas em frases afirmativas. Em frases negativas, usa-se nenhum (e variações).

Nenhuns existe?

Existe. Você pensa que nenhum não tem plural? Tem desde quando farmácia se escrevia com PH.

E a próxima novidade?

Todo, no singular e antes de artigo, significa inteiro; sem artigo, significa qualquer, cada. Com nomes próprios de lugar, o uso do artigo junto do pronome depende da exigência desse nome. Com o pronome todo no plural, usa-se o artigo obrigatoriamente, exceto quando o pronome todo (e variações) antecede outro pronome.

Existe a expressão 'todo mundo' para designar grande quantidade de pessoas?

Não. O que existe em nossa língua é apenas todo o mundo, seja todas as pessoas, sem exceção ou o mundo, o planeta Terra. 

Devo usar cada ou a cada, nas expressões de distância, seja no tempo ou no espaço?

Tanto faz.

É correto usar 'cada 1 KM', como se vê nas nossas rodovias?

Não, existem três erros. Cada já traz consigo a ideia de unidade, por isso dispensa o numeral; a abreviatura de quilômetro é km e deve vir após o numeral, sem nenhum espaço entre eles; como não é caso para uso de numeral, não se pode usar a abreviatura. O aviso correto seria: cada quilômetro. De dois em diante, cabe o numeral: cada 2km, cada 3km, cada 4km, etc.

É correto dizer 'não vejo qualquer problema'?

Errado. Qualquer é pronome de sentido afirmativo. Em frases negativas, usa-se nenhum.

Xongas, bulhufas, necas e lhufas são pronomes indefinidos?

Sim. 

sexta-feira, 22 de janeiro de 2021

Dúvidas - Pronome (2)

 Quando devo usar os demonstrativos este e esse?

Este (e variações) devem ser usados em referência a seres que se encontram próximo do emissor, ao lugar em que este se encontra, a um tempo presente e ao que ainda será citado ou especificado.

Esse (e variações) devem ser usados em referência a seres que se encontram próximo do receptor, ao lugar em que este se encontra, a um tempo passado próximo ou futuro e ao que já foi citado ou especificado.

E aquele? Quando devo usar este demonstrativo?

Aquele (e variações) devem ser usados em referência a seres que se encontram distante do emissor e do receptor e a tempo muito distante

É verdade que um DVD como 'este daqui' custa caríssimo?

Super mega plus hiper caro custa um absurdo como esse aí. Esta daqui e esse daí (e variações) são combinações de gente que fugiu da escola.

Posso usar o pronome no singular, em construções como: nunca imaginava uma coisa 'dessa'?

Não. Quando as contrações deste, desse e daquele (e variações) estiverem antecedidas de um ou uma + substantivo, tais contrações devem estar no plural.

É correto o uso de 'o mesmo' (e suas variações), em substituição a um pronome ou substantivo?

Não, porque o pronome mesmo é demonstrativo.

A placa do elevador: 'aviso aos passageiros - antes de entrar no elevador, verifique se o mesmo encontra-se parado neste andar' está certa ou errada?

Erradíssima. O certo seria 'antes de entrar, verifique se o elevador está parado neste andar'. Para encontrar uma coisa ou pessoa é necessário procurá-la. 

Ônibus, avião, trem, navio, bonde, táxi, Uber e 99 transportam passageiros. Elevador sobe e desce com usuários. O correto é 'aviso aos usuários'.

É sempre errado usar o mesmo?

Não, quando o mesmo é equivalente a 'a mesma coisa', quando é advérbio e significa 'realmente', quando é conjunção e significa 'embora', seu uso é correto.

Existe inconveniente no uso de 'aquele um' ou 'aquela uma', em referência a uma pessoa cujo nome não se sabe?

Existe. Muitos, ao desconhecer ou não lembrar o nome de uma pessoa, usam essas formas, que devem ser substituídas por 'aquela pessoa'.

Mesmo, próprio, tal e semelhante são demonstrativos?

Sim. Semelhante atua como demonstrativo de identidade. Tal é demonstrativo quando significa este, esse, aquele. Mesmo e próprio são demonstrativos quando significam idêntico ou em pessoa.

O, a, os, as também podem ser pronomes demonstrativos?

Também, quando significam aquele, aquela, aqueles, aquelas, aquilo. São pronomes demonstrativos disfarçados. Fazem parte de uma oração adjetiva enganação.

Tal pode ser usado para pessoas?

Sim, nas expressões 'um tal de' (como expressão de desdém) e 'de tal' (quando não se conhece o sobrenome). Exemplo: Encontrei um tal de Joaquim / Antônio de tal

Dúvidas - Pronome (1)

 Posso dizer que rapei 'minha' cabeça', ela sujou 'seu' vestido ou que perdi 'minha' razão?

Não, o uso do pronome possessivo neste caso configura um pleonasmo vicioso. Antes de nomes de partes do corpo, peças de vestuário e qualidades do espírito, dispensa-se o possessivo, quando se refere ao próprio sujeito. Nesses casos, o uso do artigo já denota posse.

Quando digo seu José, seu Antônio, seu Joaquim, estou usando um pronome possessivo?

Não, porque, quando a palavra seu antecede nomes de pessoa ou de profissão, não é pronome possessivo, mas alteração fonética do pronome de tratamento senhor.

Nem todo pronome possessivo indica posse?

Exatamente. Eventualmente, alguns pronomes possessivos podem indicar afeto, respeito, aproximação e até ofensa.

Devo usar minha ou a minha camisa?

Não inflói nem contribói. Antes de pronome possessivo quando acompanha o substantivo, é facultativo o uso do artigo. O artigo só é obrigatório quando há elipse do substantivo.

Por que devo dizer: a mulher chegou com seu filho?

Porque os pronomes possessivos concordam em gênero e número com a coisa possuída e em pessoa com o possuidor.

Por que não preciso dizer: vou para 'minha' casa?

Porque a palavra casa, quando significa lar próprio, dispensa o possessivo, exceto quando se quer dar ênfase à expressão.

É verdade que os pronomes oblíquos podem dar ideia de posse, substituindo os pronomes possessivos?

Verdade. Este emprego confere desenvoltura e elegância à linguagem.

Nem sempre os possessivos vêm antes do substantivo?

Acertei. Podem vir depois, mas mudam o sentido.

terça-feira, 19 de janeiro de 2021

Dúvidas - Pronome

 Qual o tratamento que devo usar em uma correspondência oficial dirigida ao Presidente da República?

Use Vossa Excelência, sempre por extenso, por ser mais respeitoso. Na invocação, use: Excelentíssimo Senhor Presidente da República.

Posso dizer que entre 'eu' e o professor existe muita amizade e respeito?

Não. Você disse a verdade, mas de forma errada. Os pronomes eu e tu só se usam antes de verbo. Caso contrário, usa-se mim ou ti.

Para demonstrar respeito, posso usar a segunda pessoa do plural (vós)?

Esse tratamento costuma ser usado por quem ocupa posição inferior à do destinatário. Essa pessoa tem uso extremamente restrito na língua contemporânea, por isso tende a desaparecer por completo na comunicação. Só subsiste nos pronomes de tratamento iniciados por Vossa e em muitos cristãos, sobretudo os católicos. Há pessoas que em uma fala de nenhum interesse, usam esse pronome com desejo de agradar a seus ouvintes e conseguir alguma coisa.

Em quais partes do Brasil se usa o tu e em quais se usa o você?

Para ser bem exato geograficamente, é comum falar-se o "tu" no Brasil nas seguintes regiões: no estado do Rio de Janeiro, em grande parte do estado de Minas Gerais, nos estados de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul, no sul do estado do Paraná, em toda a região Nordeste com exceção do estado da Bahia, em toda a região Norte, no Distrito Federal, e na região metropolitana de Santos no estado de São Paulo.

Contudo, em quase todos esses lugares se utiliza a conjugação verbal incorreta, de terceira pessoa do singular. Somente no litoral de Santa Catarina, em alguns lugarejos do Rio Grande do Sul e na região metropolitana de Belém do Pará é que se conjuga o verbo corretamente, na segunda pessoa do singular.

Os lugares onde praticamente não se usa o "tu" no dia a dia são a região Centro-Oeste na sua quase totalidade, o estado da Bahia, e a maior parte dos estados de São Paulo, Paraná e Espírito Santo.

Quando me dirijo a Deus em suas preces, devo usar Vós?

Sim. Nas suas preces ao Criador, use sempre Vós e inicial maiúscula nos pronomes pessoais do caso reto e oblíquo correspondentes.

Posso dizer que a mulher do meu vizinho é minha 'senhora'?

Só para os humoristas. Ninguém é 'senhora' de ninguém, só se você for deputado ou inventar novas regras para a gramática. As pessoas casadas devem ser chamadas de marido e mulher ou de esposo e esposa.

Posso usar 'não vi ela' ou 'não beijei ela'?

Nem com o maior carinho faça isso, se estiver escrevendo em um concurso, vestibular, prova, Enem ou exame da OAB e Detran. Quando estiver falando em casa, com os amigos, parentes etc., ou escrevendo um poema, não faz mal. Nesse caso, o cuidado maior é com a língua escrita.

Por que os pronomes oblíquos de terceira pessoa têm três formas diferentes quando enclíticos?

Porque esses pronomes sofrem variações de acordo com a terminação do verbo. Se o verbo terminar em vogal ou ditongo oral, esses pronomes assumem as formas o, a, os, as. Se o verbo terminar em R, S ou Z, essas consoantes desaparecem e esses pronomes assumem as formas lo, la, los, las. Se o verbo terminar em som nasal, esses pronomes assumem as formas no, na, nos, nas. 

Quando esses pronomes estão proclíticos, não sofrem alteração na forma.

Os pronomes me, te, se, lhe, lhes e vos não alteram a forma verbal. 

Posso dizer que 'você' imagina quanto eu 'te' amo?

Não, nem mesmo se você estiver apaixonado, que a pessoa vai odiar. Observe a uniformidade de tratamento. Se começar uma frase com a segunda pessoa, vá com ela até o fim. Se começar uma frase com a terceira pessoa, vá com ela até o fim.

Posso dizer que eu 'te' amo 'você'?

Se alguém declarar o amor dessa forma, estará mentindo. Só os falsos apaixonados fazem esse tipo de declaração. Os verdadeiros apaixonados dizem: eu te amo, eu o/a amo ou eu amo você. Só não diga 'eu lhe amo', porque o lhe é sempre objeto indireto e o verbo amar é transitivo direto.

Posso dizer que confio muito 'em si' ou gosto muito 'de si'?

Não, porque si e consigo são pronomes exclusivamente reflexivos, referem-se ao próprio sujeito.

Os pronomes de tratamento pertencem a que pessoa?

À terceira pessoa; por isso, exigem o verbo e os pronomes com eles relacionados na terceira pessoa, não na segunda.

Quando se usa Vossa Excelência ou Sua Excelência?

Todo pronome de tratamento iniciado por Vossa usa-se quando se dirige à pessoa. Quando se refere à pessoa, substitui-se Vossa por Sua.

É errado usar a gente, essa forma não existe?

Claro que existe, está mais do que certa. Use quando quiser, desde que em substituição a 'nós' ou a 'eu'. Não escreva 'agente', porque será o agente funerário, penitenciário, de saúde, de trânsito, de viagem, secreto ou da passiva, não o pronome. 

A gente vê ou vemos de tudo?

A gente fomos é linguagem de quem fugiu da escola. Use a gente tem ou nós temos. Quem usa o plural, precisa voltar à escola.

Qual o vocativo usado em documentos e comunicações oficiais?

Excelentíssimo, para autoridades tratadas por Vossa Excelência e Ilustríssimo, para autoridades tratadas por Vossa Senhoria.

E no envelope, como se usa?

Se a autoridade for tratada por Vossa Excelência, usa-se 'A Sua Excelência o Senhor' ou 'A Sua Excelência a Senhora'. Se for tratada por Vossa Senhoria, usa-se 'Ao Senhor' ou 'À Senhora'.

Qual é o fecho nas comunicações oficiais?

Para o Presidente da República, do Congresso Nacional, da Câmara dos Deputados e do Supremo Tribunal Federal, usa-se Respeitosamente. Para as demais autoridades, usa-se Atenciosamente.

E o título de doutor?

Embora seja um título acadêmico e não um pronome de tratamento, é recebido não só por quem concluiu o grau de doutorado, mas também por advogados, médicos, dentistas, nutricionistas e veterinários.

E a forma Digníssimo?

Foi abolida, porque dignidade é um pressuposto para quem ocupa um cargo público.

O certo é informamos-lhe ou informamo-lhe?

O pronome lhe não retira o S de nenhuma forma verbal: enviamos-lhes, comunicamos-lhe, solicitamos-lhes, damos-lhe. O S desaparece na 1ª pessoa do plural: queixamo-nos, arrependemo-nos, zangamo-nos, e quando o pronome O se transforma em lo: certificamo-los, comunicamo-las, cientificamo-las, prevenimo-los.

Existe trabalho difícil de 'se' fazer?

Não, o pronome se não se usa depois de adjetivo e infinitivo.

Etimologicamente, as formas comigo, contigo, consigo, conosco e convosco eram um pleonasmo. Acertei?

Acertou. Na passagem do latim para o português, esse sentido pleonástico desapareceu.

Dúvidas - Numeral e artigo

 É verdade que ambos é numeral?

Mais que verdade. Ambos é um numeral dual, porque sempre se refere a dois seres. Não dispensa o uso do artigo, quando o substantivo o exige, exceto quando vem seguido de pronome demonstrativo.

Devo usar um ou primeiro de janeiro?

Todos nós, sem exceção, devemos entrar no ano-novo com o pé direito. Por isso, prefira sempre entrar no dia primeiro de janeiro. Se entrar no dia um, esteja certo de que seu ano será infeliz. Ninguém prega mentira no dia 'um' de abril, nem comemora o Dia do Trabalhador no dia 'um' de maio.

Por que devo dizer um quinze avo, e não 'avos'?

Porque a palavra avos se refere sempre ao numerador, e não ao especificador. Se é um, é evidente que só pode ser avo. De dois em diante, naturalmente usamos avos.

Posso ficar em 'octagésimo' lugar?

Não. Nossos jornalistas não conhecem os numerais ordinais, depois de trigésimo. A partir de quarenta, começam a vacilar. Repórteres policiais preferem dizer 'setenta e dois distrito' em vez de 'septuagésimo segundo distrito'. O ordinal de quarenta é quadragésimo, de cinquenta é quinquagésimo (sem trema), de sessenta é sexagésimo, de setenta é septuagésimo, de oitenta é octogésimo, de noventa é nonagésimo.

Como devo ler Pio X: Pio Dez ou Pio Décimo?

Pio Décimo. Quando os numerais romanos aparecem, depois do substantivo, na designação de papas, reis, imperadores, séculos, capítulos, tomos e anos, usam-se os ordinais de um a dez e os cardinais de onze em diante.

E se o numeral aparece antes do substantivo?

Só se usam os numerais ordinais.

Posso dizer que o ordinal de quatrocentos também é 'quatricentésimo', o de quinhentos é 'quinhentésimo' e o de oitocentos é 'oitocentésimo'?

Não, sempre foi quadringentésimo, quingentésimo e octingentésimo, assim como o de duzentos é ducentésimo, e não 'duzentésimo' e o de oitenta é octogésimo, e não 'octagésimo'. Oito em latim é octo, e não 'octa'. Essa forma surgiu por associação por prefixos terminados em a, como tetra, penta, hexa e hepta.

Como se diferencia o numeral cardinal um do artigo indefinido homônimo?

O um é numeral quando aceita as palavras só, apenas ou somente antes dele; é artigo indefinido quando aceita a palavra qualquer antes dele.

É mesmo asneira usar um antes de mil?

Invenção de deputado. Um é singular e mil, plural.

O cifrão é composto de um S e um traço ou dois traços superpostos?

Um S é um traço, ainda que muitas máquinas tragam dois traços superpostos.

E em cheques?

Muitos argumentam que, em cheques, para evitar fraude, convém usar um (e até hum, que é interjeição, e não numeral). Podemos evitar falsificação como prática de segurança, sem corromper a língua. No dia em que tivermos a cédula de mil reais, o Banco Central não imprimirá 'um mil reais'. Se o Brasil não foi descoberto em 'um mil' e quinhentos nem Bombril é uma esponja de 'uma mil' e uma utilidades, como especialista, eu posso garantir: isto non ecziste, como diz o Padre Quevedo.

Também é errado usar um antes de milhão, milhar, bilhão e trilhão?

É correto, porque esses termos, embora deem ideia de plural, estão no singular, diferentemente de mil, que dá ideia de plural e pertence ao plural. Todo coletivo dá ideia de plural, sem estar necessariamente no plural.

Um livro pode ter duzentos e vinte páginas?

Não, o numeral concorda sempre com o substantivo seguinte. Um livro só pode ter duzentas e vinte páginas e lido por quinhentas e vinte pessoas.

Como vimos, os numerais podem funcionar como substantivo.

Qualquer palavra, antecedida do artigo ou qualquer determinante (pronome, numeral ou adjetivo), torna-se um substantivo e, ao passar a fazer parte desta classe gramatical, varia como ele.

Sendo substantivos, também têm plurais. Esses numerais vão ao plural?

Se terminarem em vogal. Se terminarem em S ou Z, ficam invariáveis.

Posso dizer que essa revista é de primeiríssima qualidade ou o time vai cair na segundona?

Pode, porque, na linguagem informal e literária, nada impede o uso da flexão de grau dos numerais.

Na Bahia é comum ouvir as pessoas falarem 'todos dois' em vez de os dois ou ambos. Eles acertam ou erram?

Erram. Todos só se usa de três em diante, e sem o artigo. Se o numeral substantivo se transformar em numeral adjetivo, o artigo é obrigatório.

O certo é: artigo dois ou segundo?

É artigo segundo. Na linguagem jurídica, usa-se o ordinal até o nono, de dez em diante, o cardinal.

Eu digo 'a notícia foi publicada no Estado de S. Paulo' ou 'em O Estado de S. Paulo', 'li essa frase em Os Sertões' ou 'nos Sertões'?

Não se une o artigo à preposição que faz parte do nome próprio. Ou não se faz a contração, ou fazemos usando o apóstrofo: 'n’O Estado de S. Paulo', 'n’Os Sertões'.

Nomes de clube exigem o artigo?

Sim: o Flamengo, o Corinthians, o Internacional, o Grêmio, o Palmeiras, o Vasco, o Fluminense, o Botafogo, o Santos, o São Paulo, etc.

É correto 'salve, o Tricolor paulista'?

Não, depois de salve não se usa artigo, veja como rezamos: Salve, Rainha, mãe de misericórdia.

Em 'já comi dos salgadinhos' e 'bebi do guaraná' como se classifica o artigo?

Como artigo partitivo, porque indica a parte de um todo. 

Posso usar as Alagoas, em vez de apenas Alagoas?

Sim. Assim também: Recife e o Recife.

E quanto a Mato Grosso e Mato Grosso do Sul?

Não aceitam artigo. Se aparecer um A antes do nome desses estados, será apenas preposição.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2021

Dúvidas - Adjetivo

 Por que infravermelho varia no plural, mas ultravioleta não?

Porque em infravermelho não existe nenhum elemento substantivo (infra é prefixo, vermelho é adjetivo), mas em ultravioleta existe (infra é prefixo, violeta é substantivo). Qualquer substantivo usado como adjetivo (derivação imprópria) fica invariável. Como os prefixos formam palavras derivadas e não compostas, esses adjetivos não são compostos, mas sim simples.

O superlativo absoluto sintético é apenas uma palavra - resumida, e o superlativo absoluto analítico são duas. É isso?

Sempre, sem exceção.

E superamigo, como devo classificar?

Como superlativo absoluto sintético, porque o prefixo super equivale ao sufixo íssimo.

Devo ou não usar o superlativo grandessíssimo?

Sem problema, assim como grandíssimo.

Existe gente chiquérrima ou chiquésima?

Nunca, porque o sufixo érrimo só se usa no superlativo absoluto sintético dos adjetivos terminados em re e ro (com exceção de nobilíssimo) e o sufixo ésimo só se usa para formar numerais ordinais.

A mulher muito magra, quase raquítica, é magérrima?

Não, é macérrima, embora se usa magérrima, por influência do g de magro.

É verdade que se pode usar e abusar de mais pequeno?

Verdade, não há erro.

E mais grande?

Só quando se comparar duas qualidades de um mesmo ser.

E mais bom e mais mau?

Nas mesmas circunstâncias.

E mais grandioso?

Nenhum erro, use corretamente em qualquer caso.

E mais ruim, menos ruim?

Idem. Use sem receio. Mais melhor, menos pior, melhorar mais e piorar mais são pleonasmos, só use em comédias. Basta dizer melhor, pior, melhorar e piorar.

Existe publicação jurídica-empresarial?

Não, a publicação é jurídico-empresarial. Com exceção de surdo-mudo, em um adjetivo composto, somente o último elemento varia.

Existe o banco Brasileiro-Iraquiano?

Não. Quando usado como primeiro elemento de um composto, o adjetivo brasileiro adquire a forma 'brasilo', contraindo-se, assim como francês, em situação semelhante adquire a forma 'franco' e inglês, a forma 'anglo'.

São corretas as expressões 'mais superior' e 'menos inferior'?

Não. O que é superior e inferior basta por si só. Esses adjetivos se usam com a preposição a, e não com a locução conjuntiva 'do que'.

Mais perfeito e menos perfeito são formas corretas?

Sim. Use sem problemas.

Posso usar superiormente, inferiormente, melhormente?

Pode.

Da última vez que o Papa esteve no Brasil, uma apresentadora de TV disse palácio 'arcebiscopal'. Isso existe?

Não. Ela deveria ter dito a verdade: palácio arquiepiscopal (estranho, mas existente).

Quem nasce em Campinas (SP), além de campineiro, pode ser chamado campinense. E quem nasce em Campina Grande (PB)?

Quem nasce em Campina Grande, na Paraíba, também é campinense. Não existe um adjetivo pátrio específico para cada cidade. Há cidades diferentes com o mesmo adjetivo pátrio: valparaisense (Valparaíso de Goiás e Valparaíso, em São Paulo); gabrielense (São Gabriel, no Rio Grande do Sul e São Gabriel da Palha, no Espírito Santo).

Por que quem nasce em Salvador (BA) é soteropolitano?

Porque soter, em grego, é salvador, e polis significa cidade. Portanto, grosso modo, Soterópolis = Cidade do Salvador, que é o outro nome pela qual é conhecida a agradável e simpática capital baiana.

Por que se diz papa-jerimum ao que nasce em Natal (RN)?

Porque jerimum significa abóbora, e os natalenses apreciam muito esse fruto.

Quem nasce em Dois Irmãos, no Rio de Janeiro, é o que?

É duofraternense.

É verdade que se chama holmiense o que nasce em Estocolmo, capital da Suécia?

Verdade verdadeira. Em latim, Estocolmo é Holmia. A região da capital suécia possui muitos minerais ricos em hólmio, elemento químico de propriedades minerais. Daí sua denominação em latim.

Por que os que nascem no Rio Grande do Norte são chamados de potiguares?

Porque antigamente havia uma tribo indígena, os potiguares, que habitavam o estado. Em tupi, potiguar quer dizer comedor de camarão. Eles eram excelentes pescadores de camarão, naturalmente porque apreciavam o crustáceo.

Os que nascem no Rio Grande do Sul são chamados de gaúchos. Por quê?

Porque antigamente eram chamados de gaúcho todos aqueles que, no estado, habitavam o campo e descendiam de portugueses e espanhóis. O termo passou a designar todo aquele que nasce nesse pujante estado brasileiro.

Por que quem nasce em São Luís (MA) é ludovicense?

Porque veio de Ludovico, derivado do germânico Hlodoviko, com duas partes: hold (ilustre) e wig (batalha, santuário, que originou em francês Louis, que deu origem a Luís).

E quem nasce em Três Corações, em Minas Gerais, é o quê?

É tricordiano, porque tri, significa três e cordis, coração.

Por que os que nascem no estado do Rio de Janeiro são fluminenses e os que nascem na cidade do Rio de Janeiro são cariocas?

Porque rio, em latim, é flumen. Daí, fluminense. O adjetivo carioca deve-se ao nome de um rio que atravessava a cidade e hoje se encontra canalizado. Seu nome era Carioca.

Por que os que nascem em Jerusalém são hierosolimitanos?

Porque Jerusalém é a cidade sagrada, tanto para cristãos quanto para judeus. E hiero, em grego, significa sagrado, divino.

Os adjetivos pátrios também podem ser chamados de gentílicos?

Não. Adjetivo pátrio é aquele que se refere a um topônimo (continente, país, estado, cidade, região etc.), enquanto adjetivo gentílico é aquele que se refere a uma raça ou a um povo.

O que são adjetivos explicativos e restritivos?

Adjetivos explicativos são aqueles que indicam uma característica própria, inerente ao ser, enquanto os adjetivos restritivos indicam apenas uma característica acidental.

Um adjetivo pode ser usado como substantivo?

Pode.

Um adjetivo pode ser usado como advérbio?

Também.

As formas superlativas 'chiquérrimo', 'finérrimo', 'elegantésimo' e 'importantésimo' existem?

Só para os mal-informados. Os espertos preferem o que a língua lhes dispõe. O sufixo ésimo é usado para numerais ordinais e o sufixo érrimo para superlativos eruditos.

Existe adjetivo de valor objetivo e subjetivo?

O adjetivo de valor subjetivo indica algo que depende de opinião, enquanto o adjetivo de valor objetivo indica algo que é de aceitação geral.

Se os adjetivos terminados em io fazem o superlativo com dois ii, então sério e sumário também têm dois ii no superlativo?

Sem dúvida. Se a situação é muito séria, ela é seriíssima. Se o julgamento foi feito de modo muito sumário, foi sumariíssimo, embora na linguagem jurídica se use sumaríssimo. Os adjetivos terminados em vogal dispensam a duplicação do I: feio - feíssimo / cheio - cheíssimo. O dia está friíssimo, e não 'fríssimo'.

Por que existe a madre superiora, se o adjetivo superior é invariável?

Na verdade, superior é adjetivo invariável, como anterior, posterior, inferior, exterior e interior. Porém, esse é o único caso em que esse adjetivo se flexiona em gênero. Superior é invariável quando se subentende a expressão 'de nível': instituição (de nível) superior.

Quando se preenche um formulário, no item nacionalidade, o certo é brasileiro ou brasileira?

Depende, usa-se 'brasileiro' se for homem e 'brasileira' se for mulher. Assim também no item estado civil, se for homem usa-se 'solteiro' e se for mulher usa-se 'solteira'.

Dúvidas - Substantivo (3)

 Posso usar casona como aumentativo de casa?

Pode, desde que seja na língua falada despretensiosa, sobretudo quando se fala com crianças, porque esse aumentativo é próprio da fala infantil, assim como casão. Na língua escrita, procura-se usar casarão.

Diz-se o mesmo de homão e arvão, aumentativos que só se admitem na fala despretensiosa ou infantil. Ninguém de bom-senso escreverá 'homão' por homenzarrão ou 'arvão' por árvore grande (nosso idioma não possui um aumentativo sintético para árvore).

Qual é o aumentativo de lápis?

É lapisão, com s, embora muitos pensem que seja lapizão, por influência de uma caixa de lápis de cera que trazia bem grande: lapizão de cera.

Afinal, qual é o aumentativo de ônibus?

É onibusão. Todos os substantivos que, no singular, terminam em s, recebem ão na formação do aumentativo sintético (estranhos, mas existentes): tênis / tenisão.

Se todos os aumentativos para mão (manzorra, manápula e manopla) são ofensivos, que forma devo usar para a mão grande, mas bonita e bem-feita?

Use mão enorme, porque, neste caso, mão só tem as formas analíticas aumentativas.

Sempre pensei que beijoca fosse diminutivo de beijo, e não aumentativo.

Pensar errado não ofende, só atrapalha um pouco.

Posso usar galão como aumentativo sintético de galo?

Não. Ao se referir a um galo grande, use galaço, porque galão tem outros sentidos.

E supermercado, hipermercado e megaevento? Como devo classificar?

Como aumentativo sintético, visto que os prefixos super, hiper e mega têm valor aumentativo.

E minidicionário e microempresário?

Como diminutivo sintético, uma vez que os prefixos mini e micro têm valor diminutivo.

Arbusto é diminutivo de árvore?

Não, o diminutivo de árvore é arvoreta.

domingo, 17 de janeiro de 2021

Dúvidas - Substantivo (2)

 Não posso dizer os cidadãos nem os cidadães?

Só se você inventar novas regras para a gramática. Você é um dos cidadãos brasileiros desde quando farmácia se escrevia com PH.

Quando substantivados, os prefixos vão ao plural?

Assim como qualquer palavra, sem exceção, segue as normas estabelecidas para o substantivo.

Por que alguns substantivos terminados em ão tem dois ou três plurais?

Por razões históricas.

Complete a frase: um terno cinza, dois ternos...

cinza. Qualquer substantivo usado como adjetivo fica invariável.

O que existe é lava-jato ou lava a jato?

Embora se veja lava-jato, as melhores formas são lava a jato ou lava-rápido.

Muitos dizem que arroz e giz não tem plural.

Achar não ofende, e se o plural de voz é vozes, o plural de arroz é arrozes e o de giz é gizes.

Por que o plural de júnior e o de sênior não é sêniores nem júniores?

Porque só o espanhol possui acentuação antes da antepenúltima sílaba, fato que só ocorre em português em algumas formas verbais seguidas de pronome oblíquo. Daí o deslocamento da sílaba tônica, deixando a pronúncia assim: juniores e seniores.

Existe ou não o tira-teima?

Existe, porque o VOLP registra. Como só existe o tira-dúvidas, tira-teima é uma forma errônea, embora consagrada, já que deveria ser tira-teimas.

Por que projétil existe juntamente com projetil? E réptil existe juntamente com reptil?

As palavras e pronúncias rigorosamente corretas são projetil e réptil. Projétil é palavra derivada do francês. Por associação com réptil, passou a se dizer projétil. E a pronuncia reptil se deve à associação com projetil. A pronúncia diferente acarreta plurais diferentes: reptis e projetis, répteis e projéteis.

Por que o plural de fútil é fúteis e o de til é tis?

Substantivos terminados em il átono substituem essa terminação por eis, os terminados em il tônico substituem essa terminação por is.

E o plural de perfil?

É perfis, e não perfils.

O plural de tilzinho é tizinhos?

Exatamente, e o plural de barrilzinho é barrizinhos.

Nomes de pessoas têm plural?

Têm como qualquer outro nome comum. Nomes terminados em s só variam quando oxítonos (os Luíses). Quando paroxítonos, ficam invariáveis (os Ulisses). Os terminados em ão variam em ãos quando paroxítonos (os Estêvãos) e em ões se forem oxítonos (os Joões).

E os sobrenomes?

Idem, apesar de nossos jornalistas insistirem em não variá-los. Em São Paulo existe uma rua chamada Rua dos Gusmões e no Rio Grande do Sul existe uma rua chamada Rua dos Andradas. 

Eça de Queirós, grande escritor português, escreveu um livro chamado Os Maias. Existe um filme com o nome O Cão dos Baskervilles. Portanto, o certo é os Bolsonaros, embora os jornais, revistas e telejornais usem 'os Bolsonaro'.

Os anos sessenta foram dourados?

Dourados mesmo foram os anos sessentas, felizes mesmo foram aqueles que viveram os anos sessentas.

É correto?

Corretíssimo! Quem usa anos setenta, anos oitenta, anos noventa comete o mesmo erro de concordância de quem diz dois pão, três mês, duas vez. O segredo é não confundir numeral com substantivo.

Como devo pluralizar as siglas?

Com S minúsculo, sem apóstrofo, porque esse sinal só indica supressão de letras. Isso é uma suposta cópia do inglês, pois, neste insigne idioma, o s indica posse, e não plural.

A prova é dos nove ou dos noves?

Dos noves, da mesma forma que se diz noves fora.

Como se faz referência à primeira década: anos zeros, anos dezes?

Para designar os anos que tiveram início em 1900 e 2000, diz-se a primeira década do século XX ou XXI. Dez, por ser numeral terminado em Z, não recebe desinência de plural.

Se o plural de micro é micros, por que só se vê 'as micro e pequenas empresas'

Pergunta lá no posto Ipiranga! Todo e qualquer elemento, quando substantivado, vai para o plural.

Existe o plural brasis?

Existe. Usa-se quando se faz referência a tipos de Brasil ou a regiões brasileiras.

Se o plural salário-família é correto, por que se aceita também salários-famílias?

Torna-se difícil saber se o segundo elemento determina ou não o primeiro. Modernamente, compostos de dois substantivos, fazem o plural com a flexão de ambos os elementos. Essa regra tende a desaparecer.

Os compostos formados por verbos repetidos podem fazer o plural com a variação de ambos os elementos?

Sim, mas não são eufônicos esses plurais. Essa eufonia nos faz dar preferência à variação apenas do último elemento. Mas não há erro na flexão de ambos.

O correto é campanhas antifumo ou antifumos?

Quando o prefixo anti se liga a um substantivo, com função adjetiva, fica invariável: medidas anticrime, manifestações antiguerra, cremes dentais anticárie e shampoos anticaspa.

Posso usar um 'clipes' ou comer um 'picles' e um 'dropes' e comprar 'um' óculos, e abrir um 'parênteses'?

Três delas só são usadas no plural, e duas delas só recebem S quando está no plural.

Posso usar um 'patins'?

Não, o certo é um patim ou um par de patins. 

Você sente muito 'ciúmes'?

Não, sentimos muito ciúme ou muitos ciúmes.

Posso dizer que sinto dor 'na' costas?

Não, nós temos costas, países têm costa, ou seja, litoral.

Existe 'o para-lamas' e 'o para-choques'?

Não, todo automóvel tem para-lama e para-choque, a forma com S só se usa no plural.

Existe o 'quebra-cabeças'?

Não, é quebra-cabeça, com S é só no plural.

Seu carro tem porta-mala?

Não, só pode ter porta-malas, assim como só existe para-raios.

Posso dizer que o remédio veio sem 'conta-gota'?

Não, só existe conta-gotas.

Posso oferecer um dropes e um chicletes?

Não, o certo é drope e chiclete, o S só se usa no plural.

Se você dorme mal ou não dorme o suficiente tem olheira?

Não, tem olheiras, com S.

Quem fala 'feliz férias' ou 'parabéns atrasado' acerta ou erra?

Erra, porque férias e parabéns são substantivos usados somente no plural. O correto é 'felizes férias' e 'parabéns atrasados'. Feio, mas correto. 

Se achar estranho, troque por 'boas férias' e 'feliz aniversário atrasado'. Assim não erra.

Nosso Português do Dia a Dia - dúvidas

 O verbo arrasar, no sentido de destruir, é transitivo direto. Porém, seu sinônimo acabar é transitivo indireto, regendo a preposição com. C...